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    Bolha gorda vai explodir: fatores que podem abalar economia estadunidense

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    Economia
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    O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a principal ameaça para os EUA, para a economia norte-americana e para ele próprio é a Reserva Federal (banco central dos EUA). O colunista da Sputnik, Ivan Danilov, comentou essa declaração do presidente estadunidense.

    Em entrevista ao canal Fox Business, Trump declarou que considera a Reserva Federal e sua política de aumento das taxas de juro a principal ameaça para seu sucesso como presidente dos EUA.

    Ivan Danilov lembrou que antes de sua presidência Trump falou retiradamente sobre os pontos fracos da economia norte-americana. Por exemplo, em 2016 Trump disse que a economia norte-americana é "uma grande, gorda e feia bolha".

    Em 2015 ele advertiu sobre a possível desvalorização das poupanças dos trabalhadores norte-americanos.

    "Eles trabalharam todas suas vidas para terem poupanças e agora o que acontece é que eles são empurrados ao mercado de fundos de investimento inflacionado e em uma determinada hora eles perderão tudo", afirmou Trump.

    Em 2016 Trump declarou que a Reserva Federal, através da emissão excessiva de dinheiro, "criou uma economia falsa" que pode colapsar em qualquer momento.

    Comentando o estado da economia norte-americana em véspera das eleições presidenciais, ele declarou que "a única coisa que parece forte é o mercado de fundos de investimento artificial", mas acrescentou que logo que as taxas forem aumentadas, essa bolha vai explodir.

    Ao tomar posse, Trump herdou essa bolha econômica. Agora ele vê que a Reserva Federal está gradualmente aumentando as taxas de juro, o que já causou quedas nas bolsas norte-americanas. As bolsas fecharam em queda em 10 e 11 de outubro. Os dois principais índices bolsistas dos EUA, Dow Jones Industrial Average e S&P 500, atingiram o menor nível desde fevereiro.

    Para entender melhor o problema, Danilov sublinha que os mercados financeiros desempenham um papel mais importante na economia dos EUA que, por exemplo, na Rússia ou no Brasil. O estado dos mercados financeiros dos EUA não só reflete o estado atual da economia em geral, como também o afeta. O analista lembrou a crise de 2008, quando problemas em apenas um setor do mercado financeiro, no dos títulos hipotecários, desencadearam a crise de grande escala e quase um colapso de todo o sistema financeiro global.

    Além disso, no mercado de ações norte-americano são investidas as poupanças dos trabalhadores estadunidenses, ativos dos fundos de pensões e até os de diferentes organizações como, por exemplo, o Banco Central da Suíça que, por sua vez, é um dos maiores investidores da Apple. É por isso que Trump avisou que, se a bolha explodir, os norte-americanos perderão todas suas poupanças.

    Quanto às ações da Reserva Federal, o problema reside nas chamadas empresas zumbis que se tornaram uma base da economia dos EUA. Empresas zumbis são as que não geram receita para pagar suas dívidas e sobrevivem aumentando a dívida para servir as dívidas anteriores. Segundo o Banco de Pagamentos Internacionais, desde os anos 1980 o número deste tipo de empresas aumentou seis vezes.

    Por exemplo, grandes empresas como a Tesla e Netflix estão na lista de empresas zumbi, porque vivem a credito e não têm receitas suficientes nem para servir suas dívidas. Quando a Reserva Federal aumenta as taxas, essas empresas são forçadas a pedir emprestado cada vez mais dinheiro para pagar suas próprias dívidas a taxas ainda maiores. Mais cedo ou mais tarde isso levará a uma cadeia de falências.

    Dólar e rublo
    © Sputnik / Aleksandr Demianchuk
    Além disso, o aumento das taxas de juro está transformando em zumbi cada vez mais empresas, que podem sobreviver apenas através do aumento de empréstimos. De fato, Trump está sendo ameaçado por esse "exército de zumbis", revelou Danilov.

    Em setembro, a Reserva dos EUA elevou a taxa de juro pela terceira vez este ano, para 2-2,25% e planeja seguir este rumo. O banco também prevê um aumento adicional da taxa em 3% em 2019 e em 1% em 2020.

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    Tags:
    bolha, dólar, Tesla, Federal Reserve (Fed), Netflix, Donald Trump, EUA
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