14:13 16 Outubro 2018
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    Quebra-cabeça de uma nota de 100 dólares dos EUA

    Sócio de Soros: triplicamos causas da crise financeira anterior e a tornamos global

    CC0 / Pixabay
    Economia
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    O investidor americano e parceiro do magnata financeiro George Soros, Stanley Druckenmiller, previu uma nova crise global três vezes mais forte que a anterior.

    Em 1992, Druckenmiller, juntamente com Soros, realizou o "ataque especulativo" mais bem-sucedido do século XX. A dupla financeira, que gerenciava o fundo Quantum, dominou o Banco da Inglaterra e em poucos dias ganhou perto de um bilhão de libras esterlinas com a depreciação da moeda britânica, ressaltou o colunista da Sputnik, Ivan Danilov.

    Apesar de posteriormente terem se separado, ambos os especuladores foram considerados lendas do mundo financeiro que humilharam, sem punição, o banco mais antigo do Ocidente.

    Depois de muitos anos, o ex-sócio de Soros decidiu conceder uma entrevista ao canal digital Realvision, trazendo más notícias sobre a economia global.

    "Triplicamos as causas da crise anterior. E o fizemos a nível global", admitiu Druckenmiller, ao mesmo tempo culpando, sem referência a nomes, as autoridades políticas e monetárias dos EUA pela próxima crise.

    Além disso, ele acusou a Reserva Federal americana de "distorcer o capitalismo", e disse que isso acabaria causando uma futura e inevitável crise, muito maior do que a de 2008 e 2009.

    Resolver o problema das dívidas fazendo novas, acabaria piorando a situação, enfatizou o multimilionário, expressando também sua preocupação quanto ao nível extremo de desigualdade social causada pela política econômica americana.

    Segundo o investidor, o segundo componente da próxima explosão social é a Internet, "que transmite informações sobre a lacuna entre os padrões de vida" a todos os habitantes do planeta.

    Nos últimos meses, várias figuras influentes de Wall Street apresentaram ao público basicamente o mesmo tipo de prognósticos.

    O multimilionário e administrador do fundo de hedge (negociações para proteção cambial), Kenneth Cordele Griffin, advertiu que as dívidas extremas seriam só o início de um declive econômico. O colunista destacou que Griffin, cujo capital equivale ao PIB de países como a Letônia e Paraguai, não faz declarações errôneas publicamente, pois isso afeta negativamente seus negócios.

    Enquanto que em junho o multimilionário e matemático Jeffrey Gundlach também comentou que a próxima crise será gigantesca, enfatizando que o déficit orçamentário dos EUA e a sua dívida nacional estão crescendo no contexto do aumento das taxas do dólar, o que pode causar dificuldades fiscais para Washington.

    Danilov salientou que os analistas estão notando um aumento anormal nas reservas de ouro na Rússia, China, Índia e em outros países.

    "A situação lembra um pouco a do Titanic: uma orquestra está tocando no convés e os passageiros estão se divertindo, embora o encontro com o iceberg já seja inevitável. Neste momento, os mais cautelosos já estão descendo às embarcações salva-vidas. A segunda onda da crise financeira global afetará a todos, mas quando o ‘Titanic' da economia ocidental bater no iceberg, o nosso barco terá todas as chances de estar a uma distância segura", concluiu o analista.

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    Tags:
    fiscal, taxas de câmbio, desigualdade, déficit comercial, dívidas, mercado financeiro, quebra, forte, crise financeira, George Soros, EUA
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