21:34 11 Dezembro 2019
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    Colheita da cana-de-açúcar em Mato Grosso, Brasil (arquivo)

    A solução pela cana: qual é o potencial de produção da bioenergia no Brasil?

    Mayke Toscano/Gcom-MT
    Economia
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    A biomassa vem ganhando cada vez mais importância para a geração de energia no Brasil, contribuindo significativamente para os esforços de redução das emissões de CO₂. Respondendo pela maior parte desse recurso natural renovável, a cana-de-açúcar tem sido a grande aposta do setor. Mas qual seria o verdadeiro potencial da bioenergia no país?

    Começou ontem, na cidade de Sertãozinho, interior de São Paulo, a 26ª Fenasucro & Agrocana, a maior feira de tecnologia sucroenergética do mundo, com mais de mil marcas expositoras. Demonstrando a relevância do tema para a economia e para a política brasileira, estiveram presentes na cerimônia de abertura o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Ronaldo Fonseca de Souza, representando o presidente Michel Temer, o secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Francisco Jardim, o secretário Nacional de Desenvolvimento Urbano do Ministério das Cidades, Gilmar Souza Santos, e o candidato a governador de São Paulo pelo PSDB, João Dória, entre outras autoridades, que discutiram questões como a participação do etanol no consumo de combustíveis, a sustentabilidade e o possível protagonismo brasileiro na área de biocombustíveis. 

    De acordo com o gerente de Bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, uma importante vantagem da utilização da cana-de-açúcar é o fato de que a geração de eletricidade a partir do seu bagaço, que resulta da fabricação de açúcar e etanol, serve tanto como produto a ser vendido para a rede nacional como para consumo próprio nas usinas. 

    "Desde o ano de 1987, nós temos aí a atividade de geração de excedentes de energia elétrica, além do que eu preciso para o autoconsumo. Então, desde 1987, as usinas começaram a exportar energia elétrica para a rede também, para o Sistema Interligado Nacional (SIN), de tal forma que, hoje, nós temos, do total de usinas que existem no país — o dado que nós temos é de 2017 —, 367 usinas, todas produzem energia elétrica para o autoconsumo, o que já é algo bastante relevante do ponto de vista da sustentabilidade da indústria. Mas, desse total, 209 usinas, ou seja, 57% do total, já produzem não só para o autoconsumo, mas também excedentes para a rede de energia elétrica do Brasil. No ano passado, a nossa produção para a rede foi equivalente a atender algo como 11 milhões de consumidores o ano inteiro", disse o especialista em entrevista à Sputnik Brasil. "Então, já é bastante representativa essa atividade junto ao setor sucroenergético, mas também ela é bastante estratégica para a matriz energética brasileira atualmente."

    Zilmar de Souza explica que o aproveitamento da cana como fonte de energia é bastante viável do ponto de vista econômico, mas não pode ser entendido como solução única para o abastecimento energético do país. Segundo ele, o Brasil tem uma demanda ainda reprimida e crescente por energia elétrica, que deve ser atendida com o uso de diferentes fontes sustentáveis. 

    "Na verdade, você tem um portfólio de soluções. Então, juntamente com eólica, solar... São fontes que podem ajudar bastante a atender essa demanda no Brasil, que ainda é crescente. Hoje, só para você ter uma ideia do potencial que nós temos, aproveitamos apenas 15% da geração de energia elétrica para rede a partir da biomassa da cana. Então, a nossa produção do ano passado para rede poderia ter sido sete vezes superior. Então, ainda tem uma grande avenida, um grande potencial a ser explorado a partir da bioeletricidade." 

     

    Atualmente, a matriz energética brasileira possui uma participação bastante significativa de fontes renováveis: 43,2%, segundo informações da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), contra apenas cerca de 14% na matriz mundial. Ocorre que, no caso da eletricidade, a geração de energia no país apresenta uma dependência muito grande do segmento hidráulico, superior a 65%, o que pode implicar em certas inconveniências. Além da questão ambiental, a escassez de chuvas e a consequente redução dos níveis de água nos reservatórios, por vezes, encarece a produção e a distribuição da energia elétrica. 

    Para o gerente de Bioeletricidade da UNICA, o aumento da participação da biomassa na geração de energia elétrica pode ajudar a reduzir esse problema. Ele destaca que, não coincidentemente, em 2017, "91% da geração para rede a partir da biomassa da cana ocorreu entre abril e novembro, que é justamente quando as hidrelétricas estão esvaziando os reservatórios". A estimativa, ainda de acordo com o especialista, é a de que tenha sido poupado "o equivalente a 15% da água dos reservatórios das hidrelétricas nos submercados sudeste e centro-oeste do país, que respondem por 60% do consumo no Brasil".

    "Então, quanto mais bioeletricidade, mais eu consigo mitigar esse efeito da escassez hídrica, do risco hidrológico", disse Souza, sublinhando, em seguida, a necessidade de um refinamento do planejamento energético no país.

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    Tags:
    matriz elétrica, matriz energética, bioeletricidade, bioenergia, energia, biomassa, cana-de-açúcar, União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, Sertãozinho, São Paulo, Brasil
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