16:01 22 Setembro 2018
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    Nota de cinco dólares em chamas

    Dólar está cercado: China exige que EUA parem

    CC BY 2.0 / Mike Poresky / Fogo
    Economia
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    "O dólar está cercado", informam os jornalistas da agência Bloomberg. Segundo eles, o mundo financeiro começou a entender a real dimensão dos problemas econômicos dos EUA: o deficit público, o aumento da dívida federal e o deficit da balança comercial. O analista Ivan Danilov fala sobre o futuro do sistema financeiro dos EUA.

    Depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, e seus rivais dos Partidos Republicano e Democrata começarem a discutir o orçamento e o aumento da dívida pública, se tornou evidente que o establishment dos EUA chegou a acordo sobre esse assunto. Em vez da redução das despesas e do deficit orçamental, prometida por Trump durante sua campanha eleitoral, foi aprovado um orçamento que prevê um aumento recorde do deficit, mais gastos orçamentais e dívida pública.

    Os analistas financeiros entendem que a impressão de dinheiro não controlada para amortizar a dívida levará a graves problemas. Entretanto, para as autoridades, os problemas econômicos a longo prazo são secundários frente à possibilidade de resolver seus próprios problemas financeiros e políticos, sublinhou Danilov.

    Segundo Mark McCormick, chefe de estratégia de divisas para a América do Norte do Toronto Dominion Bank, as perspectivas do dólar são sombrias. 

    "Se somarmos os deficits, veremos um grande número de vulnerabilidades externas para a taxa de câmbio. Estamos em uma situação quando é difícil lidar com esses deficit do ponto de vista de fluxos de capitais", disse ele. A agência de classificação de riscos Moody's avisou, por sua vez, que os EUA poderiam perder seu alto perfil de crédito.

    "O deficit é um verdadeiro risco para o governo, para a situação em Wall Street e para a saúde de toda a economia norte-americana", escreve o jornal Boston Globe

    Um dos problemas mais sérios a curto prazo é o nervosismo da China, principal credor estrangeiro dos EUA, relativamente às ações de Washington na sua política externa, especialmente no campo económico.

    Recentemente, a agência de notícias chinesa Xinhua publicou um artigo sob o título "O deficit irresponsável de um trilhão de dólares [R$ 3,3 bilhões] dos EUA merece especial atenção". "Tendo em consideração que a dívida pública já superou 20 trilhões de dólares [R$ 66 trilhões], os EUA quase atingiram a maior dívida em tempo de paz", lê-se no artigo.

    O total de títulos norte-americanos em poder de Pequim supera um trilhão de dólares (R$ 3,3 trilhões). Recentemente, os mercados financeiros entraram em sobressalto após ter surgido o rumor de que Pequim planeja reduzir ou até deixar de comprar títulos do Tesouro dos EUA. O mundo financeiro conseguiu lidar com o choque depois da negação oficial das autoridades chinesas. 

    Os senadores e congressistas não param de declarar que, se for necessário, eles podem imprimir mais dinheiro. Entretanto, essa medida apenas aumentaria a pressão sobre a moeda norte-americana.

    A Xinhua sublinha que um dia os EUA deveriam pagar suas dívidas. "A varinha mágica não existe. Há apenas uma escolha entre o aumento dos impostos e a redução da dívida pública, ou um equilíbrio entre esses dois métodos. Os investidores ainda têm títulos dos EUA como ativos financeiros seguros, mas o Tio Sam não conseguirá adiar esse problema para sempre", avisou a agência chinesa.

    Os problemas econômicos têm um aspecto geopolítico sublinhou Danilov. "Há duas formas tradicionais de anulação das dívidas públicas incomportáveis – a hiperinflação e a guerra. Quanto mais perto os EUA estiverem da hiperinflação, mais atraente para os políticos será a solução militar dos problemas económicos", sublinhou ele.

    É por isso que os investimentos russos na modernização do exército são um fator chave que permitirá não apenas à Rússia, mas a todo o mundo sobreviver a inevitável crise do sistema financeiro baseado no dólar, concluiu o analista.

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    Tags:
    dívida pública, dívida externa, déficit, economia, China, EUA, Rússia
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