15:45 17 Agosto 2018
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    Bitcoin mania: como 2017 se torna o ano de criptomoedas

    © REUTERS / Benoit Tessier/Illustration
    Economia
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    Virada do ano: legado de 2017 para realidade de 2018 (15)
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    O bitcoin e outras criptomoedas foram um dos temas quentes de 2017 nos mercados financeiros; muitos consideram que é uma verdadeira revolução na economia mundial. A Sputnik oferece uma revista dos eventos principais ligados ao mercado das moedas digitais no último ano.

    Bitcoin na cultura de massa

    Não seria exagerado afirmar que 2017 pode ser considerado o ano do bitcoin e das criptomoedas. Google classificou o bitcoin como o segundo termo de pesquisa mais popular de 2017, estando atrás apenas do furacão Irma.

    Em 2017, a criptomoeda ganhou popularidade e chamou a atenção de investidores de todo o mundo por causa do aumento de seu preço. O valor do bitcoin subiu mais de 14 vezes desde o começo do ano. Em janeiro de 2017, um bitcoin era vendido por menos de mil dólares (menos de R$ 3,2 mil). Batendo numerosos recordes durante todo o ano, na quinta-feira (28) o preço dessa moeda digital atingiu quase 14,5 mil dólares (cerca de R$ 48 mil).

    Além disso, o bitcoin se tornou uma parte da cultura pop. Por exemplo, em novembro deste ano, uma das mais populares séries de comédia do mundo, "The Big Bang Theory", exibiu um episódio completo da série dedicado à criptomoeda. Outra série de televisão norte-americana, "Mr. Robot", também teve um episódio com o foco direcionado ao bitcoin. A série de animação "Os Simpsons" mencionou a divisa digital em vários episódios.

    Em 2017, uma cirptomoeda praticamente desconhecida para as pessoas não ligadas ao mundo financeiro tem recebido a atenção de diversos meios de comunicação. Numerosas histórias sobre os milionários de bitcoin divulgadas pela mídia estão atraindo cada vez mais usuários, fazendo o valor da criptomoeda subir.

    A onda de milionários instantâneos

    Em 2009, quando foi realizada a emissão dos primeiros 50 bitcoins, um bitcoin custava menos de um cêntimo. Em 2010, o seu preço subiu até 25 dólares (R$ 78). Tomando o valor atual do bitcoin, é evidente que adotantes iniciais se tornaram milionários ou até bilionários.

    As operações com bitcoin não são controladas nenhuma instituição, por isso é impossível revelar o número exato de milionários do bitcoin. Entretanto, algumas histórias ganharam destaque na mídia.

    Por exemplo, os gêmeos norte-americanos Tyler e Cameron Winklevoss se tornaram os primeiros "multimilionários de bitcoin". Em 2008, os Winklevoss processaram Mark Zuckerberg pelo roubo da sua ideia original da rede social Facebook. O caso terminou em um acordo em que o fundador do Facebook teria pagado aos gêmeos Winklevoss 65 milhões de dólares (R$ 210 milhões). Cinco anos mais tarde, os irmãos investiram 11 milhões de dólares (R$ 26 milhões) dessa soma na compra de bitcoins. O preço da criptomoeda era então de 120 dólares (R$ 390). Hoje em dia o seu valor supera 14 mil dólares (R$ 46 mil). Por agora, a fortuna dos gêmeos ascende a 100 mil bitcoins.

    Mais uma história inspiradora é a do adolescente norte-americano Erik Finman. Ele começou a investir na criptomoeda em 2011, aos 12 anos, graças a um presente de mil dólares (R$ 3,3 mil) de sua avó. Naquela época ele adquiriu 83 bitcoins ao preço de 12 dólares (R$ 40 mil). Hoje em dia, esse valor equivale a 1,2 milhões de dólares (R$ 3,6 milhões). O rapaz também tem investimentos em outras moedas virtuais, como litecoin e ethereum. Finman se mudou para o Vale do Silício e atualmente ele está trabalhando com a NASA para lançar um foguete.

    Um milionário anônimo que tinha ganhado uma fortuna com bitcoins decidiu doar 86 milhões de dólares (R$ 283 milhões) para caridade. Segundo o milionário, ele viu uma oportunidade nas moedas descentralizadas alguns anos atrás e começou minerando bitcoins e investindo neles. Anos depois, ele ganhou um lucro enorme com bitcoins e tinha muito mais dinheiro do que jamais poderia gastar. Por isso doou uma parte substancial dele para causas humanitárias.

    Casos ridículos

    No início da sua história, poucas pessoas poderiam imaginar que o preço do bitcoin seria de mais de 14 mil dólares e por isso o usaram para pagar coisas cotidianas.

    Por exemplo, o usuário Laszlo fez a primeira compra online usando o bitcoin. Ele comprou uma pizza por 10 mil bitcoins (naquele momento essa quantia correspondeu a 25 dólares ou R$ 78). Levando em conta a taxa de câmbio atual do bitcoin, se não tivesse comprado essa pizza em 2010, ele hoje teria 145 milhões de dólares (R$ 480 milhões). Parece que essa foi a pizza mais cara no mundo.

    Em 2013, o britânico James Howell jogou no lixo um disco rigido antigo que tinha em casa. Mas há um problema: o disco continha chaves de acesso a 500 bitcoins. Howell tinha minerado os bitcoins em 2009, quando a moeda custava menos de um dólar. Quando percebeu o que tinha feito, seus bitcoins custavam mais de quatro milhões de dólares (R$ 13 milhões) e essa fortuna ficou perdida para sempre.

    Além do bitcoin

    O sucesso do bitcoin contribuiu para a criação de novas moedas digitais. Hoje, existem mais de mil criptomoedas. Todas se baseiam no mesmo princípio de funcionamento, mas há algumas diferenças entre elas (por exemplo, a velocidade de realização das transações). O bitcoin permanece a criptomoeda mais usada, mas criptomoedas tais como ethereum, litecoin, namecoin e outras também estão ganhando popularidade.

    Um dos adversários principais do bitcoin é o bitcoin cash. Foi criado em agosto de 2017 como resultado de uma bifurcação na rede (hard fork, no termo em inglês) da moeda eletrônica original. O objetivo principal dessa separação era tentar melhorar as velocidades e os custos das operações. As transações com bitcoin cash são oito vezes mais rápidas que as com o bitcoin tradicional.

    O ethereum é mais uma moeda digital que está ganhando destaque no mercado. Fundado em 2014, o ethereum representa uma espécie de plataforma descentralizada capaz de executar contratos inteligentes (contratos criados para que pessoas desconhecidas façam negócios entre si, pela Internet e sem a necessidade de intermediário) através da tecnologia blockchain. Desde janeiro de 2017, o preço do ethereum aumentou 50 vezes, de 8,62 dólares (R$ 29) a 426 dólares (R$ 1.412).

    Moedas descentralizadas e não controladas? 

    O bitcoin foi criado como uma moeda descentralizada que não é emitida por um banco central e não depende da política monetária de qualquer instituição. Entretanto, as vantagens dessa criptomoeda (alta velocidade e baixos custos de transações, capacidade de armazenar dados de forma mais segura e barata) atraem o interesse das autoridades de diferentes países. Muitos delas pensam em criar suas próprias moedas digitais.

    Em outubro deste ano, o presidente da Rússia Vladimir Putin aprovou a criação do "criptorublo", a criptomoeda nacional russa. Ela terá uma série de diferenças em comparação com as divisas digitais que atualmente estão em circulação, como o bitcoin ou o ethereum. A nova moeda será criptografada por meio de algoritmos desenvolvidos na Rússia e a emissão dessa criptomoeda será regulamentada.

    O líder venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou no início de dezembro a criação de uma criptomoeda venezuelana denominada Petro para lidar com os problemas financeiros. Através dessa moeda digital, Caracas procura promover o progresso na soberania monetária, fazer transações financeiras e superar o bloqueio financeiro.

    O Ministério das Finanças de Israel também considera pôr em circulação sua própria criptomoeda, o "shekel digital", no âmbito do plano de redução do volume de cédulas na economia e de luta contra as operações no mercado negro.

    Até as autoridades da Reserva Federal (Fed, o banco central norte-americano) estão pensando em criar sua própria moeda digital. Segundo elas, no futuro, os bancos centrais poderiam vir a se envolver mais ativamente no processo de emissão de moedas digitais como alternativa a divisas tradicionais porque consideram que as moedas virtuais seriam um meio de troca mais eficaz que o dinheiro.

    Em dezembro de 2017, ocorreu mais um evento marcante para o bitcoin. Os primeiros contratos futuros baseados em bitcoin começam a ser negociados na Bolsa de Opções de Chicago (Cboe, na sigla em inglês) e na Chicago Mercantile Exchange (CME), a maior bolsa de mercadorias do mundo. O lançamento de futuros de bitcoin nas bolsas oficiais, que oferecem ambientes de negociação rigorosamente controlados, atrai os investidores que anteriormente evitavam as operações com a criptomoeda devido à ausência de controle no mercado.

    Tudo leva a crer que 2018 também será um grande ano para as criptomoedas, que têm potencial para mudar a economia mundial e a nossa vida cotidiana.

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    Virada do ano: legado de 2017 para realidade de 2018 (15)

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    bancos, economia, mundo, moeda, bitcoin, finanças, Israel, EUA, Venezuela, Rússia
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