09:41 25 Setembro 2018
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    Retrato do líder revolucionário chinês Mao Tsé-Tung (foto de arquivo)

    Como China comunista se torna o maior proprietário da União Europeia

    © AP Photo / Andy Wong
    Economia
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    Nos últimos seis anos, de 2010 a 2016, os investimentos diretos chineses nos países da UE atingiram o valor de 100 bilhões de euros, informou o Instituto de Estudos Chineses de Berlim (MERICS na sigla em alemão).

    Estes números testemunham que Pequim, mesmo não tendo a chamada economia de mercado e sendo tradicionalmente acusada de ser pouco aberta, se tornou o maior proprietário da Europa.

    Em 2016 a economia chinesa superou pela primeira vez a dos EUA no crescimento das compras de ativos no exterior.

    "As empresas chinesas têm um objetivo implícito: comprar tudo e em todo o lado onde se vende algo, ou seja, entrar em todos os mercados sem exceção", disse o analista Dmitry Tratas à Sputnik.

    Os capitais chineses se estabeleceram no Reino Unido de forma mais agressiva, de acordo com a análise do colunista da Sputnik Dmitry Maiorov. Pequim entrou com grande força no setor das infraestruturas britânico. Assim, o fundo soberano chinês China Investment Corporation possui 10% do aeroporto de Heathrow. Outra empresa chinesa, o Beijing Construction Engineering Group, recebeu permissão para participar da construção da primeira "cidade-aeroporto" do Reino Unido, em Manchester. 

    Por outro lado, a atividade das empresas chinesas na Alemanha em 2016 quebrou todos os recordes anteriores. De acordo com a consultoria Ernst & Young, os chineses compraram 68 empresas alemãs. O aumento do capital chinês no mercado alemão não é casual: pelo contrário, é  um plano ambicioso elaborado por Pequim, disse Vladislav Belov, diretor do Centro de Estudos Alemães da Academia das Ciências da Rússia.

    "A Alemanha acusa a China de que suas aquisições apenas favorecem Pequim. Enquanto Pequim compra todas as empresas alemãs de que gosta, Berlim enfrenta muitos obstáculos quando quer fazer o mesmo na China. Sigmar Gabriel, vice-chanceler do país, visitou a China em 2016 para resolver esta situação. Agora a Europa está introduzindo mecanismos para reforçar o controle sobre as empresas estratégicas e seus investidores. Em minha opinião, a China vai baixar o ritmo, ele adquirirá muito menos empresas neste ano", admitiu Belov.

    Entretanto, essa "febre de investimento" chinesa gerou um verdadeiro escândalo quando a Alemanha proibiu o fundo de investimento chinês Fujian Grand Chip Investment Fund LP de comprar o produtor alemão de microchips Aixtron SE.

    Da mesma forma, a expansão da China é, em grande parte, uma espécie de "passo forçado". O especialista do Centro de Economia e Finanças da Academia de Ciências Sociais da China, Zhang Ning, acredita que a crescente atividade dos investidores chineses é explicada pela desvalorização da moeda chinesa.

    "Muitas empresas chinesas detectaram essa tendência e começaram apostando em investimentos estrangeiros", disse o especialista, acrescentando que essas mesmas empresas estão tentando lucrar com a diferença da taxa de câmbio entre o iuan e a moeda local.

    Tags:
    relações econômicas, finanças, investimento estrangeiro, Reino Unido, Alemanha, China
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