15:39 21 Julho 2017
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    Total faz parceria com a Petrobras

    Voilá, Petrobras! Franceses abocanham mais negócios da empresa

    Yasuyoshi Chiba/AFP
    Economia
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    A Petrobras e a Total firmaram mais um acordo pelo qual a companhia francesa pagará US$ 2,2 bilhões para assumir participações da estatal em diversas áreas, como na exploração do pré-sal, em térmicas, terminais de regaseificação e outros negócios.

    O acordo, firmado em dezembro pelo diretor executivo da Total, Patrick Pouyanné (na foto à esquerda), e pelo presidente da Petrobras, Pedro Parente, acontece no âmbito da Aliança Estratégica firmada pelas duas companhias. Pelo contrato, a Total assume os direitos de 22,5% da Petrobras na concessão do campo de Iara do pré-sal e de 35% na concessão do campo de Lapa, também no pré-sal, hoje em fase de produção. Os contratos criam novas parcerias nos segmentos de produção e distribuição, além do fortalecimento da cooperação tenológica em operação, pesquisa e tecnologia.

    Para o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Gerson Castellano, esse não é um processo de desmobilização ou venda de ativos e sim uma privatização em larga escala que está ocorrendo em toda a Petrobras desde que o novo presidente Pedro Parente assumiu. 

    "O único objetivo é vender a Petrobras aos poucos. Esse acordo não vai ter vantagem nenhuma para a Petrobras e a sociedade brasileira, uma vez que temos o pré-sal já mapeado e utilizado. Vemos com muitos maus olhos essa questão que está sendo colocada, até porque temos informação de que a Total tem interesse não só na exploração como no refino."

    Segundo o dirigente, nunca nenhuma empresa estrangeira quis investir em refino no Brasil, mesmo existindo essa possibilidade.

    "Agora, com esse novo modelo posto pela Petrobras, vamos ver esse avanço das empresas nas refinarias que foram modernizadas nos últimos 13 anos. A Petrobras, com o o governo do Michel Temer e do Pedro Parente, está aproveitando o momento em que investigações apontam desvios que foram feitos para denegrir a imagem da empresa e colocá-la à venda. Ao invés de ser feito um processo transparente, com licitação, leilão eles estão vendendo pelo melhor preço, mas que são preços baixos. Em todo o mundo, devido à queda da cotação do barril do petróleo nos últimos dois anos, há muita oferta de ativos nessa área", diz Castellano. 

    O diretor da FUP lembra que a Petrobras já falou que vai sair da área de fertilizantes, onde ela domina o mercado interno, e está fazendo depreciação no valor dos ativos a cada seis meses. 

    "Além de você estar vendendo um patrimônio nacional em que você investiu, vamos ter a questão do conteúdo nacional. Quando essas empresas entrarem, cada vez mais elas vão procurar recursos de fora. Uma empresa francesa vai querer fazer navios na França ou onde ela tem parceiros. A gente vai fazer nossa indústria naval cada vez mais afundar. A própria Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos) já está reclamando, falando que vamos perder cerca de um milhão de empregos ainda este ano só por conta de a Petrobras não estar cumprindo o conteúdo nacional. Vamos colocar o Brasil para retroceder 30 anos. A sociedade precisa entender o risco que estamos correndo", finaliza Castellano.

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    Tags:
    conteúdo nacional, petroleo & gás, refino, indústria naval, exploração, acordo, Abimaq, Federação Única dos Petroleiros (FUP), Total, Petrobras, Gerson Castellano, Pedro Parente, Patrick Pouyanné, Brasil
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