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    Em 2017, o presidente chinês, Xi Jinping, anunciou que Pequim planeja tornar o Exército de Libertação Popular (ELP) da China em uma força de combate de "nível mundial" até meados do século XXI.

    Contudo, um novo relatório da autoria do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS, na sigla em inglês) dos EUA, fundado em 1914, descreve que o ELP do gigante asiático possui, na verdade, certas fraquezas que podem minar sua competição com Washington pela supremacia militar global.

    "Os representantes do ELP referem frequentemente uma 'doença da paz' endêmica em suas forças, e temem que tropas que nunca viram uma batalha se tornem complacentes e tenham dificuldade em manter a prontidão", descreve o relatório.

    Nesse extenso estudo, é apontado que a última vez que a China combateu em uma guerra de verdade foi em 1979, quando o ELP montou uma ofensiva contra o Vietnã, vizinho do sul do país. Mais concretamente, desde 1949 o ELP participou de "guerras de escala completa" em apenas três situações — a Guerra da Coreia (1950-1953), a guerra com a Índia em 1962 e a guerra com o Vietnã em 1979.

    Relativamente às mortes ocorridas durante a disputa territorial na região de Ladakh, em junho de 2020, o ELP considera a ocasião como um ato "não-bélico", informa o relatório.

    De acordo com o mesmo documento, as forças terrestres do ELP, em particular, têm tido dificuldades em treinar seus soldados, bem como em operar o novo equipamento com tecnologia de ponta que tem substituído o antigo material militar das forças chinesas.
    Comando Militar do Tibete do ELP recebe um lote de veículos Dongfeng Mengshi
    © Foto / Conta do Comando Militar do Tibete do ELP no Sina Weibo
    Comando Militar do Tibete do ELP recebe um lote de veículos Dongfeng Mengshi

    O relatório estadunidense avalia ainda que a capacidade para realizar operações conjuntas e a coordenação eficaz entre os diferentes ramos do ELP, em caso de combate, também continuam sendo um grande desafio para as forças chinesas.

    "Mesmo que os serviços [do ELP] conduzam mais exercícios do que nunca antes, relativamente poucos são conjuntos: entre 2012 e 2019, [apenas] 80 exercícios conjuntos ocorreram acima do nível de brigada/divisão, de acordo com o livro branco de defesa da China de 2019", sublinha a publicação do Congresso dos EUA.

    De igual forma, o relatório lança dúvidas sobre as capacidades da China em "certas áreas de combate", incluindo guerra antissubmarino, defesa antiaérea naval, inteligência de longo alcance e operações aéreas sobre a água, entre outras.

    Veículos militares chineses carregando o míssil de cruzeiro DF-100 no decorrer do desfile militar em homenagem aos 70 anos da criação da República Popular da China
    © AP Photo / Mark Schiefelbein
    Veículos militares chineses carregando o míssil de cruzeiro DF-100 no decorrer do desfile militar em homenagem aos 70 anos da criação da República Popular da China
    "Adicionalmente, a indústria de defesa da China tem tido dificuldade em desenvolver certas tecnologias e sistemas, tais como motores a jato de alto desempenho (um ex-funcionário da Agência de Inteligência de Defesa referiu-se ao desafio dos motores aeroespaciais do ELP como 'um desastre contínuo para a China')", segundo o relatório.

    "À medida que o ELP se reorganiza, suas forças estão passando por um período de ruptura significativa, levando alguns observadores a questionar se o ELP poderia estar gravemente despreparado para um conflito enquanto decorre o processo de reorganização", refere a publicação.

    No que toca a questões de investimento, o Congresso Popular Nacional (NPC, na sigla em inglês) da China aprovou US$ 209,16 bilhões (cerca de R$ 1,1 trilhão) em investimento militar em março deste ano, uma subida de 6,8% em relação ao ano passado.

    Contudo, isso ainda não se pode comparar ao investimento americano na defesa, uma vez que no mês passado o Departamento de Defesa dos EUA propôs o investimento de US$ 715 bilhões (aproximadamente R$ 3,6 trilhões) para 2021, um aumento de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50,3 bilhões) relativamente a 2020.

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    Tags:
    Congresso dos EUA, relatório, fraqueza, ELP, China
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