02:27 04 Março 2021
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    A desistência pelos EUA do desenvolvimento de um novo míssil nuclear dissuasor de baseamento terrestre, destinado para substituir os mísseis balísticos intercontinentais Minuteman III, permitiria poupar uma quantidade significativa de verbas e não prejudicaria a segurança do país, aponta Sébastien Roblin, colunista da NBC News.

    Segundo o autor, os novos mísseis são apenas uma alocação de fundos colossais à "capacidade dos EUA de ameaçar com o apocalipse nuclear".

    No Congresso dos EUA se iniciou uma luta pela continuação de um programa, iniciado ainda pelo presidente Barack Obama e apoiado pelo presidente Donald Trump e cujo valor é de aproximadamente US$ 100 bilhões (R$ 538,3 bilhões), para desenvolvimento e implantação de mísseis balísticos intercontinentais estratégicos de dissuasão terrestre (GBSD, na sigla em inglês) que apenas podem ser utilizados em uma guerra nuclear.

    O novo armamento substituirá os mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) lançados de silos subterrâneos LGM-30G Minuteman III. Atualmente, os EUA têm apenas 400 destes mísseis, cada um dos quais é capaz de transportar até três ogivas nucleares.

    Além disso, é planejado que sejam adquiridos mais 666 mísseis, 400 dos quais serão implantados e os restantes usados para lançamentos de teste.

    De acordo com Roblin, a compra de mísseis avançados não seria nada mais que a alocação de enormes quantidades de dinheiro do orçamento dos EUA para o desenvolvimento da "capacidade dos EUA de ameaçarem com apocalipse nuclear".

    Colunista aponta que os ICBM são a componente mais vulnerável da tríade nuclear, isto é, das forças estratégicas dos EUA equipadas com armas nucleares. Assim, em resposta ao lançamento de um míssil intercontinental do inimigo, Washington ou Moscou terão entre 15 e 30 minutos para decidirem se devem lançar seus próprios mísseis intercontinentais antes de eles serem destruídos.

     

    Míssil balístico intercontitental Minuteman III é visto na base aérea de Minot, nos EUA (foto de arquivo)
    © AP Photo / Charlie Riedel
    Míssil balístico intercontitental Minuteman III é visto na base aérea de Minot, nos EUA (foto de arquivo)

     

    Ao mesmo tempo, as outras duas componentes da tríade nuclear – aviação estratégica e submarinos nucleares – são amplamente protegidos contra a ameaça de ataque preventivo e podem ser usados para outros fins além da guerra nuclear total.

    Tendo em conta as vantagens dos meios de dissuasão aéreos e marítimos e sua contínua modernização, Roblin propõe abandonar o novo programa de armas que substituiria os mísseis Minuteman III por causa de seu alto custo e inutilidade.

    Roblin insiste que os EUA seriam mais seguros se os fundos necessários para o programa fossem utilizados em capacidades militares que podem ser realmente utilizadas pelo país, ou destinados para combater a propagação do coronavírus.

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    Tags:
    Rússia, EUA, ogiva nuclear, submarino nuclear, tríade nuclear, Minuteman III, míssil balístico intercontinental
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