20:30 29 Novembro 2020
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    Ex-líderes de países-membros da OTAN apelam pela cooperação futura ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares, visto que o Novo START está prestes a expirar.

    Os ex-líderes da Albânia, Bélgica, Canadá, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Alemanha, Turquia, Islândia, Países Baixos e de outras nações assinaram a carta, apesar de se recusarem a se juntar ao tratado, citando as armas nucleares dos Estados Unidos como essenciais à sua segurança.

    Ao todo, 56 ex-líderes representando 20 países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, juntamente com o Japão e a Coreia do Sul, chamaram a atenção a outras potências mundiais para assinarem o Tratado de Proibição de Armas Nucleares, revelou na segunda-feira (21) a Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ICAN, na sigla em inglês).

    Os riscos no uso de armas nucleares "tanto por acidente, cálculos ou design errados" estão aumentando, escreveram os ex-líderes. Segundo o apelo, todos os países devem dar "atenção aos avisos de cientistas, médicos e outros especialistas" e tomar iniciativa para o desarmamento "antes que seja tarde demais".

    "Não devemos sonambular rumo a uma crise de proporções ainda maiores do que as que temos experimentado neste ano", lê-se na carta aberta em relação à pandemia do novo coronavírus.

    De acordo com a carta, armas nucleares "não serviram em nenhuma estratégia ou propósito militar legítimo", tendo ocasionado apenas "catástrofes humanas e ambientais".

    "Não é difícil prever como a retórica bélica e mau julgamento dos líderes das nações nucleares pode resultar em uma calamidade que afete todas as nações e seus povos", constatou a carta.

    Porém, cinco países – Bélgica, Itália, Alemanha, Países Baixos e Turquia – possuem bombas nucleares provenientes dos Estados Unidos, que deveriam ser removidas após a assinatura do tratado, especificou a ICAN.

    A carta aberta argumenta que as nações estão promovendo "uma crença perigosa e falaciosa de que armas nucleares são promotoras de segurança", adicionando que deveriam antes trabalhar todos juntos para um mundo livre do armamento nuclear.

    "Estando o Tratado de Proibição de Armas Nucleares prestes a entrar em vigor, esta carta demonstra que até mesmo países que oficialmente se opõem ao tratado, há um nível significante de apoio ao mesmo. Estamos confiantes de que com o tempo, esse apoio ganhará ainda mais força, e que eventualmente os países em questão acabem se juntando ao tratado", afirmou Tim Wright, coordenador do tratado da ICAN.

    Fim do Novo START?

    As notícias chegam à medida que o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START) se aproxima do fim, mais especificamente em fevereiro de 2021, caso as conversações entre Estados Unidos e Rússia não venham a surtir uma extensão do acordo.

    Os dois lados permanecem desacordando a extensão do tratado que visa limitar o número de ogivas que os EUA e a Rússia podem possuir a 1.550 unidades, com futuras limitações no que toca a mísseis balísticos intercontinentais (ICBM, na sigla em inglês) e respectivos lançadores.

    Contudo, o enviado presidencial especial dos EUA para controle de armas, Marshall Billingslea, afirmou à Sputnik que Washington estenderia o START por menos de cinco anos, de modo a se comprometer com um novo acordo multilateral.

    A carta aberta chega depois da ICAN ter revelado em relatório que os países possuidores de armas nucleares gastaram um recorde de US$ 73 bilhões (R$ 398 bilhões) em armas nucleares, não obstante a luta contra a presente pandemia da COVID-19.

    Nações, tais como Estados Unidos, Reino Unido, China, Franca, Rússia, Paquistão, Índia, Coreia do Norte e Israel, gastaram aproximadamente US$ 139 mil (R$ 759 mil) em 13.000 armas nucleares por minuto em 2019, de acordo com o relatório.

    "É um absurdo estar gastando US$ 138.700 a cada minuto em armas que causam danos humanos catastróficos, em vez de investir na proteção da saúde de seus cidadãos. Estão abdicando de seus deveres de proteger os seus povos", afirmou Beatrice Fihn, diretora-executiva da ICAN.

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    Tags:
    arma nuclear, nuclear, OTAN
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