18:23 13 Agosto 2020
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    Foi inaugurado nesta semana, em Brasília, o Centro de Operações Espaciais (COPE), que terá como atribuição operar e monitorar o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), de uso civil e militar.

    Construído em parceria com a Telebras e subordinado ao Comando de Operações Aeroespaciais, o COPE é descrito pela Força Aérea Brasileira como referência por sua complexidade e modernidade, com instalações projetadas com alto nível de segurança e disponibilidade de rede. Sua inauguração, segundo o tenente-brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez, comandante da Aeronáutica, representa um marco estratégico em prol da soberania nacional na área espacial e "traz benefícios diretos e indiretos imensuráveis para toda a sociedade brasileira".

    A expectativa é a de que, além do SGDC, ele possa controlar diversos satélites geoestacionários e de baixa órbita ainda a serem lançados. 

    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em visita ao Centro de Operações Espaciais (COPE), em Brasília
    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em visita ao Centro de Operações Espaciais (COPE), em Brasília
    "O COPE deve ser entendido e avaliado na atualidade como o mais sofisticado edifício público federal de caráter funcional, administrativo, em atividade", afirma Roberto Caiafa, editor do Portal InfoDefensa, especializado em questões de Defesa, em declarações à Sputnik Brasil.

    O jornalista explica que o domínio do sinal de satélite para emprego militar é fundamental tanto em terra, como no mar ou no ar para os programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras e a modernização da Defesa brasileira.

    "Por exemplo, o Exército, no programa estratégico SISFRON, usa o sinal de satélite para integrar sensores, equipamentos de vigilância, tropas e centros de comando e controle para defender nossas fronteiras em tempo real", destaca Caiafa. "No programa estratégico ASTROS 2020, o sinal de satélite será vital para guiar um drone remotamente pilotado, usado pela bateria de busca e aquisição de alvos ASTROS antes deste disparar mísseis de cruzeiro a VMTC por exemplo". 

    Radar do Centro de Operações Espaciais (COPE), em Brasília
    Radar do Centro de Operações Espaciais (COPE), em Brasília

    Na Marinha, o bom uso dos sinais de satélite permitirá, segundo o especialista, manter contato constante com os submarinos convencionais e com o futuro submarino de propulsão nuclear, "além de manter os navios da esquadra constantemente conectados entre si e com as estações de comunicação em terra, o que traz uma enorme vantagem militar no mar". 

    Painel de monitoramento em sala do Centro de Operações Espaciais (COPE), em Brasília
    Painel de monitoramento em sala do Centro de Operações Espaciais (COPE), em Brasília

    Já no que diz respeito à Força Aérea Brasileira, os trabalhos do COPE terão impacto visível nas operações com o caça Gripen E/F, aumentando sua "consciência situacional" e a segurança nos disparos. Mas não apenas isso.

    "Os drones da FAB, especialmente o Hermes 900, poderão operar a muitas centenas de quilômetros de suas bases de lançamento, coletando, classificando e retransmitindo, em tempo real, valiosas informações", diz o editor do portal InfoDefensa. 

    Militar brasileiro toca em equipamento do Centro de Operações Espaciais (COPE), em Brasília
    Militar brasileiro toca em equipamento do Centro de Operações Espaciais (COPE), em Brasília

    Em termos mais práticos, Roberto Caiafa opina que o Centro de Operações Espaciais representa para o Brasil "a diferença entre vencer ou não um conflito", uma vez que "a informação é fundamental em qualquer ato bélico da atualidade".

    "Com o COPE controlando a constelação de satélites brasileiros, civis e militares, será possível as três Forças obterem dados de observação da Terra de forma mais rápida, segura e com grande qualidade, sem depender de terceiros tanto para geração das imagens quanto para sua interpretação e tratamento em Terra."  

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    Tags:
    navios, submarino, drones, Gripen, conflito, Cope, defesa, Defesa, espaço, satélites, Forças Armadas do Brasil, Marinha do Brasil, Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira (FAB), Brasília, Brasil
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