14:03 03 Junho 2020
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    Uma equipe de engenheiros brasileiros realizou no mês passado o primeiro ensaio prático da voo do caça sueco Gripen NG, adquirido pela Força Aérea Brasileira (FAB).

    O voo inaugural do novo caça da FAB foi realizado em agosto do ano passado e, desde então, vem passando por testes que são necessários para a certificação. O trabalho será finalizado no final deste ano, quando a equipe de engenheiros da Embraer retorna ao Brasil.

    Ao comentar o desenvolvimento do caça Gripen NG, o especialista em assuntos militares, Pedro Paulo Rezende, em entrevista à Sputnik Brasil, disse que os aspectos aerodinâmicos do avião vêm correspondendo às expectativas.

    "O pacote aerodinâmico foi validado nos testes que foram feitos pela Força Aérea Sueca e que agora começam a ser feitos pela Força Aérea Brasileira. Isso significa que o avião, dentro do aspecto puramente aerodinâmico, corresponde ao que é esperado dele: capacidade de manobra, velocidade final, capacidade de atingir grande altitudes", disse.

    "Em todos estes aspectos, o Gripen NG já foi validado, falta agora validar a parte de sistemas, e essa ainda está atrasada em relação ao desenvolvimento aerodinâmico", acrescentou.

    Ao comentar as vantagens e desvantagens da nova aquisição da FAB, o Pedro Paulo Rezende observou que "uma das vantagens do Gripen E/F é exatamente o sistema de guerra eletrônico, que é um sistema muito integrado, então ele tem capacidade de gerenciar ameaças de uma maneira muito efetiva a partir do sistema de guerra eletrônico".

    Primeiro voo do caça Gripen E/Br da FAB, na Suécia
    © Foto / Saab AB
    Primeiro voo do caça Gripen E/Br da FAB, na Suécia
    "Outro ponto que é importante é a questão do custo operacional que promete ser relativamente baixo, mas aí entra uma questão importante: até o momento só tem 99 aviões encomendados. Ou seja, se esse avião não obtiver novas encomendas, a tendência é que ele fique extremamente caro de operar no médio e longo prazo", afirmou.

    De acordo com ele, o principal problema é que quando chegar mais adiante, será necessário adquirir peças a um custo muito elevado, porque elas serão "praticamente artesanais".

    "Um dos problemas do Gripen E/F é a pouca oferta de potência que o motor entrega. Todos os concorrentes que o Gripen tem no mercado são aviões bimotores [com excessão do F-35]. Em suma, você tem perspectiva de colocar mais equipamentos eletrônicos ao longo da vida útil do avião do que no Gripen E/F", disse.

    Ao comentar se o novo caça adquirido pela FAB vale o investimento que está sendo feito, o especialista declarou que "ainda é cedo sobre a parte eletrônica do avião".

    "É um avião que entrou tardiamente no mercado. Como isso vai se refletir no futuro, não dá pra você avaliar no momento. Agora, é necessário que a Suécia e o Brasil consigam um novo comprador pra esse caça, pra que ele possa se consolidar no futuro", completou.

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    Tags:
    SAAB, Gripen, caça, Força Aérea Brasileira (FAB)
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