10:25 21 Julho 2019
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    Primeiro caça Gripen E brasileiro fará o seu voo inaugural ainda em 2019 na Suécia

    Gripen E: novo caça brasileiro passa por testes e fará 1º voo na Suécia em 2019

    © Foto : Divulgação / Força Aérea Brasileira
    Defesa
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    Thiago de Araújo
    LAAD 2019 no Rio de Janeiro (10)
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    Ocupando um espaço considerável do pavilhão 3 da 12ª LAAD Defence & Security, a mais importante feira de defesa e segurança da América Latina, um modelo do caça sueco Gripen E chama a atenção já em solo. Mas isso vai mudar até o fim deste ano, quando o 1º avião da parceria com o Brasil for ao ar na Suécia.

    O voo inaugural está se aproximando e os motores do jato tiveram as suas instalações concluídas nas últimas semanas, revelou o vice-presidente da Unidade de Negócios Gripen Brasil da Saab, Mikael Franzén, em entrevista coletiva da qual a Sputnik Brasil participou. De acordo com o executivo, sistemas táticos e sensores estão sendo testados neste momento.

    "O último ano foi bem-sucedido. Entre outras ações, instalamos o motor no primeiro Gripen E para o Brasil. Este ano, a primeira aeronave brasileira iniciará a campanha de ensaios em voo em Linköping, na Suécia", assegurou Franzén. O executivo sueco também elogiou a sinergia entre Brasil e Suécia ao longo do processo, que permite até mesmo maior sustentabilidade.

    "Os caças Gripen terão agora a mesma configuração para os displays, harmonizando os programas sueco e brasileiro. Isso significa uma grande economia na manutenção da aeronave e no futuro desenvolvimento de software. Esse é realmente um bom exemplo da colaboração bem-sucedida entre a Saab e a indústria de defesa brasileira", acrescentou.

    De acordo com o contrato assinado entre as duas partes em 2014, o Brasil receberá 36 caças Gripen, sendo 28 monopostos (Gripen E) e 8 bipostos (Gripen F). O acordo prevê uma ampla transferência de tecnologia, que inclui pacote completo da aeronave, simuladores, sistemas de suporte, sistemas de suporte, peças sobressalentes, cargas externas e treinamento e suporte.

    Segundo o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider, o Gripen F é um projeto que saiu praticamente do zero e conta com quase 50% de tecnologia de Brasil e Suécia. Não são poucos os itens que mudam entre os dois modelos: adição do assento traseiro no cockpit; sistema de oxigênio, telas e comandos; adaptação do sistema de energia elétrica; redesenho da seção das tomadas de ar; redesenho da extensão da fuselagem dianteira; e rearranjo aviônico e das instalações elétricas.

    Executivos da Embraer e da Saab falaram na LAAD 2019 sobre o andamento do Programa Gripen
    © Sputnik / Thiago de Araújo
    Executivos da Embraer e da Saab falaram na LAAD 2019 sobre o andamento do Programa Gripen

    "Existe um cenário para uma participação efetiva das duas empresas no cenário global", destacou Schneider, que revelou ainda o interesse de delegações de outros países no Gripen E e F, porém ainda em estágios embrionários. Tanto o executivo brasileiro quanto os seus parceiros suecos demonstraram otimismo quando o tema envolveu a participação no concorrido mercado mundial de caças militares.

    O primeiro voo do 1º Gripen E brasileiro – intitulado pela Força Aérea Brasileira (FAB) de F-39 E/F – vão acontecer até o final deste ano em Linköping, na Suécia. A partir de 2020, pilotos brasileiros participação de treinamentos no país escandinavo e, de acordo com o gerente do Programa Gripen da Embraer, Geovane Pellegrino, o jato vem ao Brasil para mais testes no segundo semestre do mesmo ano.

    O desembarque do primeiro jato da parceria com a Saab marcará também o início das operações da nova fábrica de aeroestruturas do Gripen (SAM), pertencente à Saab, em São Bernardo do Campo (SP). A entrega do primeiro lote de jatos Gripen E está prevista para 2021, com a integralidade dos aviões sendo montada por suecos, com o acompanhamento de brasileiros.

    Em uma segunda fase, colaboradores da Embraer montarão os caças Gripen E com o apoio dos suecos, enquanto a fase final terá a construção dos jatos Gripen F em solo brasileiro.

    Programa Gripen

    Em 18 de dezembro de 2013, o governo brasileiro anunciou a escolha pelo Gripen como o novo caça da FAB, vencendo uma disputa dentro do Programa FX-2 com jatos da França e dos Estados Unidos. Até o fim do programa, cerca de 350 profissionais brasileiros participarão dos projetos de transferência de tecnologia por meio de treinamentos na Suécia.

    Até o momento, 165 engenheiros brasileiros já regressaram e a maior parte deles trabalha no Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN), localizado na Embraer Defesa, em Gavião Peixoto (SP), inaugurado em 2016.

    "O Gripen vai reforçar as capacidades de defesa aérea do Estado brasileiro e será um fator preponderante para dissuasão de qualquer ameaça à soberania do espaço aéreo", afirmou o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez, em comunicado à imprensa.

    O processo de transferência de tecnologia do Programa Gripen envolve 62 projetos, incluindo pesquisas do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) em áreas relevantes para a concepção da próxima geração de aeronaves de caça, tais como análise operacional de caças, projeto e análise conceitual da aeronave, testes de motores a jato, projeto de entradas de ar com baixa observabilidade radar (desenvolvimento de tecnologia stealth), sistemas avançados de monitoramento de frota, eletrônica e processamento para aplicações intensivas em tempo real.

    A expectativa, tanto da Saab quanto da Embraer, é que o Gripen brasileiro abra as portas do mercado sul-americano para novas parcerias e, possivelmente, novos investimentos em projetos futuros entre as duas companhias.

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    Tags:
    tecnologia, Programa FX-2, segurança, defesa, Gripen NG, Gripen F, Gripen E, aviação militar, LAAD 2019, Força Aérea Brasileira (FAB), Embraer, SAAB, Antônio Carlos Moretti Bermudez, Geovane Pellegrino, Jackson Schneider, Mikael Franzén, Linköping, Rio de Janeiro, Suécia, Brasil
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