16:05 15 Outubro 2018
Ouvir Rádio
    Míssil balístico intercontinental RS-20 em um parque em Orenburgo

    Mídia norte-americana: mísseis chineses têm DNA ucraniano

    © Sputnik / Maxim Bogodvid
    Defesa
    URL curta
    13265

    Em todos os progressos da China na área de mísseis e motores de foguetes se observa a influência de engenheiros ucranianos, afirma a revista norte-americana The National Interest.

    O colunista da revista Charlie Gao fez uma análise detalhada da relação entre a China e a Ucrânia na área de construção de mísseis balísticos e de seus componentes.

    Recursos humanos

    Segundo Charlie Gao, o país asiático se aproveitou das capacidades dos engenheiros ucranianos e soviéticos ao contratá-los. Desde que a Ucrânia renunciou à posse de armas nucleares em 1994, muitos engenheiros com conhecimento nessa área tornaram-se cobiçados na China.

    De fato, o país asiático é conhecido por contratar especialistas da indústria militar, especialmente para a construção de tanques e navios. Foi assim que a China construiu seu primeiro sistema de radar de matriz ativa faseada.

    É a partir daí que se espalharam rumores sobre cidades da China povoadas por engenheiros ucranianos que trabalham para empresas locais. Um dos exemplos mais notórios dessa cooperação foi a contratação por Pequim de Valery Babich. Babich é o criador do porta-aviões Varyag, que posteriormente foi rebatizado como Liaoning.

    Projetos ressuscitados 

    O autor ressaltou que a China não se limitou apenas a contratar especialistas em construção de mísseis balísticos e seus componentes. Também comprou a documentação técnica, o que permitiu aos engenheiros chineses beneficiar de muitos atalhos em seu trabalho.

    O autor deu o exemplo do escritório de projeto ucraniano Yuzhnoe — um colaborador foi flagrado vendendo documentação técnica do míssil RS-20.

    O caso mais recente aconteceu em 2016, quando um cientista da Universidade Nacional de Dnepropetrovsk fugiu para a China na posse de documentos secretos sobre foguetes espaciais.

    Compra direta

    Embora muitos dos projetos do país asiático tenham recebido apoio indireto de engenheiros ucranianos, em alguns casos a China simplesmente comprou o que queria.

    Exemplo: em 2005, alguns empresários ucranianos venderam à China vários mísseis de cruzeiro Kh-55 dos armazéns do país eslavo. Esses mísseis não estavam equipados com ogivas nucleares, mas forneceram informações vitais para a China.

    Um caso mais recente aconteceu em 2017, quando o escritório de projeto Yuzhnoe foi acusado de vender motores de foguete para a Coreia do Norte.

    Coincidências suspeitas

    Por último, Gao salientou que, embora não haja provas definitivas da influência ucraniana em outros projetos, algumas coincidências suspeitas podem ser observadas.

    Assim, o interesse chinês pelo míssil RS-20 radicava em seu desejo de obter um veículo de reentrada múltipla e independente (MIRV, sigla em inglês). Não se sabe se a documentação técnica desse míssil chegou ou não à China, mas os diâmetros do míssil intercontinental chinês DF-5 e do RS-20 são semelhantes.

    Foram também notadas semelhanças entre outros mísseis chineses e soviéticos.

    É por isso que o colunista concluiu que a experiência ucraniana influenciou direta ou indiretamente o desenvolvimento dos mísseis balísticos intercontinentais da China.

    Mais:

    China testa com sucesso sistema para interceptar mísseis
    Comando Estratégico dos EUA: Rússia e China estão testando mísseis hipersônicos
    Ucrânia pode criar 'concorrente' ao poderoso tanque russo Armata (FOTO)
    Tags:
    DNA, foguetes, mísseis, Ucrânia, China
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik