15:15 19 Outubro 2018
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    Militar russo coordena a instalação do sistema S-400 na posição na Crimeia

    De manobras a combates reais: assim funciona a defesa antiaérea russa

    © Sputnik / Sergei Malgavko
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    A poderosa rede de defesa antiaérea sempre foi o lado mais forte das Forças Armadas russas. Até os analistas da OTAN reconhecem: logo na primeira tentativa de tentar quebrá-la a aviação da Aliança terá baixas sérias.

    Mais um treinamento das Tropas da Defesa Antiaérea russas decorreu na região de Astrakhan. Um regimento equipado com sistemas S-300 Favorit repeliu um ataque aéreo em massa de aviação e mísseis de cruzeiro do inimigo convencional. Saiba mais sobre o funcionamento da defesa antiaérea russa na matéria da Sputnik.

    Os treinamentos

    As manobras das forças da defesa antiaérea russas habitualmente decorrem em duas etapas. Na primeira etapa as guarnições realizam tiros de treino e atacam alvos aéreos reais com simuladores eletrônicos de mísseis. O papel de agressor é desempenhado pela própria aviação que treina a ruptura e superação dos sistemas de defesa antiaérea. Os caças e bombardeiros se dirigem manobrando contra o objetivo defendido pelas divisões de defesa antiaérea, voando à altura mais baixa possível para eliminá-lo. A defesa antiaérea, por sua vez, tenta impedir os "agressores" de atingirem a linha de ataque.

    "Durante o fogo de treinamento é verificado o nível de adestramento da guarnição", explica à Sputnik Mikhail Khodarenok, coronel na reserva que serviu durante muitos anos nas Tropas de Defesa Antiaérea.

    Nestes treinos o comando dá tarefas bem complexas para os soldados, para que estes estejam prontos para o combate real, continuou Khodarenok, destacando que é bastante fácil falhar esta prova: deixar escapar um alvo, atacá-lo sem usar todas as capacidades de fogo ou violar as instruções de procedimentos.

    Na segunda etapa se realizam exercícios de fogo real. São lançados alvos a partir do solo. Primeiro, o radar detecta os alvos, captura-os e monitoriza calculando sua trajetória. As guarnições recebem os dados e lançam os mísseis. Enquanto estes voam para atingir os alvos, a defesa antiaérea continua examinando o céu em busca de novas possíveis ameaças.

    Os 4 escalões

    Em combate real, uma falha pode ser fatal para um inteiro agrupamento de tropas se o inimigo conseguir eliminar, por exemplo, um importante posto de comando. A supremacia numérica dos países da OTAN em aparelhos de aviação tática foi sempre tomada em consideração pelos desenvolvedores dos sistemas de defesa antiaérea russos.

    Na criação dos sistemas S-300 e S-400, os construtores se focaram em aumentar o número de alvos acompanhados e atacados simultaneamente, bem como em aumentar a eficácia de ataque contra alvos pouco visíveis e que voam a alturas baixas.

    Na Doutrina Militar da Rússia, os sistemas de mísseis antiaéreos de longo alcance são considerados como parte autônoma de um único organismo integrado. Sua principal tarefa, junto com a aviação e sistemas de defesa antimíssil com menor raio de alcance, é conquistar e manter a supremacia no ar.

    Segundo destaca o colunista da Sputnik Andrei Kots, como exemplo de tal defesa aérea complexa em miniatura pode servir a base aérea russa em Hmeymim. Os acessos remotos à base russa na Síria são protegidos por sistemas S-400. O segundo escalão são os sistemas navais S-300 Fort, instalados nos cruzadores Moskva e Varyag, que se revezam um ao outro na parte leste do mar Mediterrâneo e também os sistemas antiaéreos sírios Buk-M2E.

    O terceiro escalão é a proteção pelos sistemas de mísseis sírios S-125 Pechora-2M e, finalmente, o último escalão são os sistemas de defesa antiaérea russos Pantsir-S1 que fazem a cobertura da base aérea e das posições dos S-400. Para além disso, a qualquer momento os Su-30SM e Su-35 poderão se juntar para repelir o ataque contra a base militar. Todo esse armamento está ligado como uma teia de aranha e funciona como um organismo integrado.

    Proteger o objetivo

    "Este tipo de instalações tem habitualmente vários radares que se revezam na análise da situação no céu. Não se pode deixá-los funcionar ininterruptamente, eles ‘se desgastam'", destacou Khodarenok.

    Se algo está acontecendo no céu, o comando é logo informado. As guarnições passam à prontidão de combate número um e depois atuam conforme a situação. Em caso de ameaça séria, todo o sistema de defesa antiaérea, desde os S-400 aos efetivos com sistemas de mísseis portáteis, é colocado em alerta, sublinhou o coronel na reserva russo.
    Em caso de ataque, os sistemas de defesa antiaérea de prevenção estarão prontos para repelir o ataque alguns minutos depois de receberem o alerta.

    Vale destacar que nem o sistema de defesa antiaérea mais avançado e numeroso pode eliminar todos os alvos em caso de ataque maciço. Sua tarefa principal é proteger o objetivo e evitar que este seja atacado. Para isso basta abater alguns aviões e pôr em fuga os pilotos sobreviventes. Mas no que diz respeito aos mísseis de cruzeiro — eles têm que ser todos interceptados.

    Futuro sustentáculo da defesa antiaérea russa

    Hoje, o sistema russo mais avançado é o sistema de defesa antiaérea S-400 Triumph, cujas capacidades permitem fazer frente a qualquer alvo aerodinâmico à distância de 400 km e a alturas de até 30 km. No entanto, resta pouco tempo para a "estreia" do novo sistema S-500 Prometei, que poderá interceptar um míssil balístico intercontinental o até um satélite voando a alturas baixas. Espera-se que os sistemas S-500 entrem em serviço em 2020.

    Com decorrer do tempo será este sistema que formará o sustentáculo da defesa antiaérea de longo alcance russa. A maioria das suas caraterísticas são classificadas, mas sabe-se que o S-500 poderá detectar e atacar simultaneamente até dez alvos balísticos supersônicos que voem com velocidade de 7 km/s. O raio de alcance da nova arma atinge 500 km.

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    manobras, mísseis, defesa antiaérea, S-500, S-400, Forças Armadas, Rússia
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