04:00 25 Setembro 2018
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    'Furadeira' de ataque: assim é nova bomba planadora da Rússia

    © Sputnik / Ramil Sitdikov
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    Ao receber a nova bomba planadora em 2018, a Força Aérea russa expandirá suas capacidades de combate, disse o diretor-geral do grupo Tehmach, Vladimir Lepin. A bomba chamada Drel (Furadeira, em português), permitirá atacar o inimigo em terra sem entrar na área de alcance de seus meios de defesa.

    O desenvolvimento deste tipo de munição está sendo realizado ativamente em vários países. Por essa razão, a Sputnik dedicou uma publicação para explicar o que essas bombas guiadas equipadas com asas podem realizar e quais são suas vantagens sobre os mísseis.

    O que são bombas planadoras?

    A primeira bomba planadora, a Henschel Hs 293 alemã, mais conhecida como Fritz X, foi usada durante a Segunda Guerra Mundial e afundou vários navios dos aliados. Uma munição controlada por rádio com um acelerador de propulsão a jato poderia se afastar do ponto de lançamento cerca de 14 quilômetros.

    Durante os anos de pós-guerra, o desenvolvimento deste tipo de munição continuou, mas se intensificou, sobretudo nos anos 90, quando os EUA lançaram o Sistema de Posicionamento Global (GPS), o que permitiu aumentar sua precisão. Nos últimos anos, o arsenal do Pentágono se expandiu com vários tipos de bombas planadoras. Por exemplo, a GBU-39, com um alcance de até 110 quilômetros e a AGM-154 JSOW, capaz de sobrevoar 130 quilômetros.

    Segundo os especialistas, as bombas planadoras modernas têm algumas vantagens perante as munições de aviação clássicas. "É possível atingir alvos sem entrar na zona de alcance de sistemas de defesa aérea com mísseis ar-terra, mas o peso de sua ogiva nem sempre é suficiente para causar um dano substancial", explicou o especialista militar Aleksei Leonkov.

    "Uma bomba planadora resolve esta tarefa atingindo o alvo com precisão e sem que o [avião] portador entre na área de alcance do sistema antiaéreo", declarou ele.

    A bomba planadora russa Drel vs AGM-154 americana

    O desenvolvimento da bomba planadora russa PBK-500U Drel, começou nos anos 90, mas o protótipo foi testado apenas em 2016. Existe a opinião que seu desenvolvimento foi atrasado devido a atrasos no lançamento do sistema de posicionamento global russo GLONASS. Além da navegação por satélite, a bomba utiliza o sistema de navegação inercial. Segundo várias fontes, o alcance máximo da Drel varia entre 30 e 50 quilômetros, sendo três vezes menor que seu concorrente norte-americano.

    A bomba está equipada com 15 submunições autoguiadas que se separam do corpo da bomba na zona programada. Durante a descida no paraquedas, cada uma delas rastreia o espaço com sensores infravermelhos e de radar e destrói o material blindado do inimigo em sua parte superior, a menos protegida.

    A submunição norte-americana BLU-108, por sua vez, funciona com um algoritmo similar. A única diferença é que é direcionada ao alvo por um infravermelho e não "vê" alvos que não emitem calor. Além disso, as minibombas russas são capazes de distinguir entre alvos "amigos" ou "inimigos" e podem ser utilizadas nas zonas onde as partes rivais se encontram muito perto uma da outro.

    Em que conflitos pode ser usada?

    "A vantagem principal das bombas planadoras é que são muito mais baratas que os mísseis guiados com sistemas laser, mas tem um nível aceitável de alcance e alta precisão", afirmou o analista militar Mikhail Khodarenok. "Não tem sentido usar um míssil que custa meio milhão de dólares [R$ 1,65 milhões] contra um todo-terreno", concluiu ele.

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    Tags:
    defesa, material bélico, bomba, EUA, Rússia
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