22:52 25 Janeiro 2021
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    Para um deputado francês, Gilles Lebreton, as autoridades francesas estão causando danos à imagem internacional do seu país.

    O deputado condena firmemente a postura da França em relação aos porta-helicópteros Mistral, encomendados pela Rússia à França.

    "A França é um país renomado na área de produção de armamentos. Portanto, quando assina contratos com parceiros confiáveis, como é a Rússia, deve cumpri-los, e não bloquear — neste caso, o fornecimento dos dois Mistrais", disse Lebreton em uma entrevista exclusiva à Sputnik France.

    Segundo ele, a decisão de suspender o fornecimento dos Mistrais à Rússia prejudica principalmente a França:

    "Quanto ao nosso complexo militar-industrial, nós estragamos catastroficamente a nossa imagem frente aos futuros consumidores. Evidentemente, nós não conseguimos cumprir a palavra que tínhamos dado à Rússia".

    "Se outros países quiserem assinar um contrato de construção de navios no estaleiro de Saint-Nazaire, amanhã vão pensar três vezes antes de o fazer. Ou até podem preferir outros fabricantes, por exemplo a Coreia, que é uma referência na área de construção naval", acrescentou o deputado.

    Sem justificação

    Para o deputado, não existe nenhuma justificação para suspender a entrega dos navios. Nisso, ele diverge da opinião oficial do Estado francês, que tem criticado a guerra na Ucrânia.

    Lebreton destaca dois aspectos do conflito ucraniano que mais irritam o Ocidente: a reintegração da Crimeia à Rússia e o conflito no Leste da Ucrânia.

    Quanto ao primeiro, o entrevistado deixou claro que, para ele, se trata do "direito de autodeterminação dos povos", portanto de uma decisão completamente legítima.
    "Eu até acho que a União Europeia deveria ter participado da organização do referendo [na Crimeia em 16 de março de 2014], em vez de protestar", frisou.

    Já o segundo aspecto, "um pouco mais delicado", não foi estudado pela União Europeia com a devida atenção, o que levou à escalada do conflito em Donbass, segundo Lebreton:

    "A União Europeia, em vez de seguir e obedecer cegamente aos EUA, deveria ter lançado mão da sua posição e ajudar a Rússia e a Ucrânia na busca de uma solução. Isso não aconteceu, e como resultado nós vemos que dois países tiveram que interferir no assunto, no quadro dos Acordos de Minsk-2, ao passo que a UE esteve ausente".

    "Resumindo, este pretexto não deveria ter sido usado para justificar a suspensão do fornecimento dos Mistrais", explicou o deputado.

    Brasil ou terceira opção

    As opções do futuro destino dos navios Mistral anunciadas pela França são duas: venda dos navios a um terceiro país (anteriormente, o conselheiro municipal de Saint-Nazaire, Gauthier Bouchet, não descartava a candidatura de Brasil como comprador) e o seu desmantelamento.

    Há até quem afirme que era mais fácil e barato afundar os Mistrais.

    Já Lebreton acredita que os navios poderiam ser entregues à Marinha francesa, se outras opções falharem. Afinal, perder anos de trabalho e enormes montantes de dinheiro gasto não é uma decisão racional.

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    Tags:
    Mistral, Brasil, Rússia, França
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