16:49 11 Dezembro 2017
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    Exército alemão

    Europa quer sair da influência dos EUA

    © AFP 2017/ JEAN-PIERRE MULLER
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    Vários especialistas e políticos europeus contatados pela Sputnik acreditam que o projeto da criação de um exército europeu não é viável hoje em dia.

    A iniciativa de estabelecer na União Europeia um exército comum, que iria representar a força militar unida de todos os países da Europa unida, vem do presidente atual da Comissão Europeia, Frank-Walter Steinmeier, e já foi apoiada oficialmente pelo partido alemão SPD, além de outras forças políticas da Europa.

    Porém, o projeto suscita uma série de perguntas, a mais importante das quais é a seguinte: será que todos os países da Europa, que hoje em dia não parece ser tão unida mesmo, vão querer que os seus soldados sirvam em um exército não nacional?

    Para isso, seria preciso que a UE for uma espécie de Estado supranacional, o que não acontece, segundo o analista militar sérvio Aleksandar Radic. Não há consenso dentro da União Europeia, sublinhou o especialista.

    "No momento, todas as especulações sobre um exército comum [europeu] são um "balão de prova", declarações e tentativas políticas da UE de manter uma política de segurança mais independente, principalmente no que toca à França e à Alemanha", disse Radic.

    Sem consultar-se com Estados Unidos

    Segunda pergunta: será que a OTAN e os EUA irão consentir que a Europa tenha uma força militar independente e unida, fora das forças da OTAN? O deputado alemão Alexander Neu, do partido A Esquerda (Die Linke), acredita que "a OTAN é um instrumento de influência norte-americana na Alemanha e na UE", "aquele mesmo instrumento através do qual os Estados Unidos realizam a sua agenda na Europa".

    "Um exército europeu unido iria por em dúvida as posições de domínio dos EUA como parte integrante da OTAN", diz o político.

    Alexander Neu confessou também "não compreender" e estar perplexo pelo fato de 3 mil soldados estadunidenses terem chegado à região do Báltico, Em condições de retirada confirmada das unidades de combate em Donbass, este passo dos EUA só pode ser qualificado de "provocação", assegura o deputado do Bundestag, "formando a impressão de que os EUA tentam desta maneira torpedear os Acordos de Minsk [de fevereiro de 2015]".

    Resta a questão linguística, mas a barreira principal é jurídica: há países na União Europeia que tinham declarado a sua neutralidade em qualquer tipo de conflitos. Um exército europeu comum afetaria os seus interesses de qualquer maneira: se os abrangeria, violaria o princípio de neutralidade, e se os deixaria de lado, esses países ficarão sem proteção.

    O deputado tcheco do Parlamento Europeu, Jiri Mastalka, também concorda que a proposta de Jean-Claude Juncker é pouco realista tanto para as condições econômicas, como para as sociais da Europa contemporânea.

    "Eu compreendo que alguém esperará que o exército comum irá prevenir o pior roteiro, de que hoje falam todos. Isto é, o surgimento no continente europeu de um grande conflito militar. Mas eu acho que o aumento da potência militar pela União Europeia será visto como uma provocação. Portanto, iremos avançar mais um passo à guerra", explicou Mastalka.

    O eurodeputado tcheco sublinhou também que "só é possível normalizar as relações com os russos por meios pacíficos, na mesa de negociações".
    O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, propôs criar um exército europeu em 8 de março. Esta ideia será discutida em junho, conforme disse nesta semana o representante oficial da Comissão, Margaritis Schinas.

    Tags:
    Exército, Jean-Claude Juncker, UE, União Europeia, EUA
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