19:53 23 Outubro 2021
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    A bagunça que resultou do encontro entre um buraco negro e uma estrela criou um fenômeno raríssmo.

    Ao medirem a radiação X enquanto a estrela era dilacerada pela gravidade, os astrônomos determinaram algo incrivelmente difícil de ser detectado: um buraco negro de peso médio e de massa intermediária, informa o portal Science Alert.

    Os cientistas pensavam que os buracos negros de massa intermediária (IMBH, na sigla em inglês) poderiam ser muito comuns, mas por alguma razão eles provaram ser habilidosos em "escapar" dos telescópios e, por isso, esta descoberta é algo inédito, que poderia ajudar a comunidade científica a desvendar o mistério de como os buracos negros supermassivos chegam a seus tamanhos tremendos.

    "O fato de termos conseguido capturar esse buraco negro enquanto ele devorava uma estrela nos oferece uma oportunidade incrível de observar o que de outra forma seria invisível [...] Além disso, analisando a chama, conseguimos entender melhor essa categoria fugaz de buracos negros que pode muito bem representar a maioria dos buracos negros nos centros das galáxias", disse a astrônoma Ann Zabludoff, da Universidade do Arizona, nos EUA.

    Enquanto os limites entre os IMBHs e os buracos negros supermassivos (SMBHs, na sigla em inglês) não estão atualmente muito bem definidos, os de massa intermediária são geralmente considerados maiores do que uma típica estrela em colapso ou buraco negro estelar (correspondendo até uma centena de massas solares), mas não supermassivos (com uma massa entre um milhão e um bilhão de vezes superior a um buraco negro estelar típico).

    Os buracos negros, geralmente invisíveis, se revelam quando algo brilhante, como uma estrela, se aproxima um pouco demais. Então, a imensa força do buraco negro - isto é, o produto de seu campo gravitacional - se estica primeiro para depois "puxar" a estrela com uma força imensa, o que acaba dilacerando o corpo celeste brilhante, explica o Science Alert.
    Fotografia da galáxia 6dFGS gJ215022.2-055059, capturada pelo telescópio espacial Hubble da NASA, em colaboração com  o observatório de raios X Chandra da NASA. Este é um fenômeno cósmico bastante raro e elusivo: um buraco negro engolindo uma estrela próxima
    Fotografia da galáxia 6dFGS gJ215022.2-055059, capturada pelo telescópio espacial Hubble da NASA, em colaboração com o observatório de raios X Chandra da NASA. Este é um fenômeno cósmico bastante raro e elusivo: um buraco negro "engolindo" uma estrela próxima

    Este evento de ruptura (TDE, na sigla em inglês) libera uma chama brilhante, enquanto os detritos da estrela desintegrada desaparecem gradualmente além no horizonte do buraco negro.

    Um acontecimento desta natureza, chamado 3XMM J215022.4-055108 (ou simplesmente J2150), foi observado em 2003 no centro de um aglomerado estelar na periferia de uma galáxia, a 740 milhões de anos-luz da Terra. Ao longo de 10 anos, o clarão brilhante foi desaparecendo, o que forneceu uma série completa de dados do evento. A análise dos fótons sugeriu a existência de um IMBH.

    Uma nova equipe liderada pelo astrônomo Sixiang Wen, da Universidade do Arizona, voltou a analisar os dados, comparando-os com modelos teóricos sofisticados, de modo a medir com maior precisão a massa e a rotação do buraco negro. No final, descobriram que a massa do buraco negro em estudo se situa nas dez mil massas solares.

    Curiosamente, este está girando muito rápido. Os pesquisadores foram capazes de usar sua rápida rotação para sondar a natureza da matéria negra.

    A rotação do buraco negro também pode oferecer algumas pistas sobre como ele cresceu e, do mesmo modo, "ajustando a emissão de raios X desses clarões aos modelos teóricos, podemos obter um censo do número de buracos negros de massa intermediária no Universo", disse Wen, citado na matéria.

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    Tags:
    buraco negro, estrelas, fenômeno astronômico, ciência, astronomia
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