15:32 23 Setembro 2021
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    Pouco se sabe sobre a estrela de nosso Sistema Solar, o Sol. Contudo, ao estudar o processo de sua formação, será possível também entender o mesmo processo do Sistema Solar em si, bem como do que ele engloba.

    Uma nova pesquisa publicada na revista Nature, fornece novas pistas sobre que forças estariam em ação quando o nosso Sol ainda estava em sua infância, detectando, pela primeira vez, algo único em uma estrela bebê. Tal característica poderá, desse jeito, revelar novas informações sobre como as estrelas jovens crescem, informa o portal Phys.org.

    "Já detectamos milhares de planetas em outros sistemas estelares em nossa galáxia, mas de onde vieram todos esses planetas? De onde veio a Terra? Isso é o que realmente me motiva", disse Catherine Espaillat, autora principal do estudo e professora associada de Astronomia na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Boston, nos EUA.

    Quando uma estrela bebê está se formando, ela consome poeira e partículas de gás girando em torno dela, o que é chamado de disco protoplanetário. As partículas batem na superfície da estrela em um processo chamado de acreção, explica Espaillat.

    Os discos protoplanetários são encontrados dentro de nuvens moleculares magnetizadas, que em todo o Universo são conhecidas pelos astrônomos como sendo locais de formação de novas estrelas. Como as partículas colidem na superfície da estrela em crescimento, os pontos quentes - com temperaturas muito elevadas e muito densos - se formam nos pontos focais do processo de acreção.

    Nebulosa Caldwell 68 é uma nuvem interestelar de poeira e gases. A estrela que ilumina a nebulosa é conhecida como uma estrela T Tauri, um tipo de estrela jovem cujo brilho muda ao longo do tempo. Frequentemente tais estrelas têm discos circunstelares, os quais circundam algumas estrelas jovens e que poderiam se desenvolver em sistemas solares muito parecidos com nosso
    Nebulosa Caldwell 68 é uma nuvem interestelar de poeira e gases. A estrela que ilumina a nebulosa é conhecida como uma estrela T Tauri, um tipo de estrela jovem cujo brilho muda ao longo do tempo. Frequentemente tais estrelas têm discos circunstelares, os quais circundam algumas estrelas jovens e que poderiam se desenvolver em sistemas solares muito parecidos com nosso

    Olhando para uma jovem estrela a cerca de 450 milhões de anos-luz da Terra, Espaillat e sua equipe confirmam, pela primeira vez, a precisão dos modelos de acreção dos astrônomos desenvolvidos para prever a formação desses pontos quentes. 

    A equipe da Universidade de Boston - incluindo o estudante John Wendeborn e o pesquisador Thanawuth Thanathibodee - estudou de perto uma jovem estrela chamada GM Aur, localizada na nuvem molecular Taurus-Auriga da Via Láctea. Atualmente, é impossível fotografar a superfície de uma estrela tão distante, mas outros tipos de imagens podem ser capturados, uma vez que as diferentes partes da superfície de uma estrela emitem seu brilho em diferentes comprimentos de onda de luz, segundo a mídia.

    A equipe passou um mês fotografando diariamente os comprimentos de onda de luz emitidos pela superfície da GM Aur, compilando conjuntos de dados de raios X, raios ultravioleta (UV), infravermelho e luz visual. Para isso, os cientistas utilizaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA, o telescópio espacial TESS (sigla em inglês para Satélite de Pesquisas de Exoplanetas em Trânsito), o Observatório Swift, e a rede global de telescópios do Observatório Las Cumbres.

    A GM Aur faz uma rotação completa em cerca de uma semana e, nesse tempo, é esperado que os níveis de seu brilho aumentem e diminuam, dependendo da distância do ponto quente mais brilhante da Terra. Porém, quando a equipe alinhou seus dados pela primeira vez, seus integrantes ficaram espantados com o que viram.

    Ilustração de como o Sol poderia ter sido há 4 bilhões de anos, durante o período em que a vida se desenvolveu na Terra
    Ilustração de como o Sol poderia ter sido há 4 bilhões de anos, durante o período em que a vida se desenvolveu na Terra

    Eles descobriram que o ponto quente em si não é totalmente uniforme, tendo uma área dentro de si que é ainda mais quente que o resto. 

    "O ponto quente não é um círculo perfeito, é mais como um arco com uma parte que é mais quente e mais densa do que o resto [...] Este [estudo] nos ensina que os pontos quentes são pegadas na superfície estelar criadas pelo campo magnético", disse Espaillat, citada pelo Phys.org.

    Em algum momento da sua vida, o Sol também tinha pontos quentes - diferentes das manchas solares, que são áreas mais frias do que o resto de sua superfície - concentrados onde consumia partículas de um disco protoplanetário de gás e poeira espacial.

    Eventualmente, os discos protoplanetários desaparecem, deixando para trás estrelas, planetas e outros corpos celestes que compõem um sistema estelar, aponta a líder do estudo.

    A cientista acredita que o estudo de estrelas jovens que compartilham propriedades semelhantes às de nosso Sol, é a chave para entender o nascimento de nosso próprio planeta.

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    Tags:
    Sol, estrelas, formação, Sistema Solar, Terra, astronomia, ciência
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