07:45 26 Setembro 2021
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    Um novo estudo muda o que se acreditava anteriormente serem lagos subterrâneos de Marte, que poderiam abrigar vida.

    As manchas brilhantes detectadas por radar sob o polo sul de Marte podem não ser lagos subterrâneos, mas sim depósitos de argila, segundo um estudo publicado na revista Geophysical Research Letters.

    Durante décadas, a comunidade científica suspeitou que, tal como na Terra, existiria água sob as calotas de gelo de Marte. Em 2018, os pesquisadores encontraram evidências de um lago subterrâneo, localizado na calota polar sul do Planeta Vermelho. De acordo com o portal Live Science, em 2020 eles encontraram evidências de vários lagos altamente salgados na região.

    Se estes lagos são sinais de que a água já existiu na superfície marciana, estes reservatórios poderiam ter abrigado vida em algum momento, ou mesmo ainda hoje, acreditavam os cientistas até agora.

    No entanto, Isaac Smith, um cientista planetário da Universidade de York, Canadá, acredita que seria necessária alta temperatura e grande quantidade de sal para formar e manter água líquida neste ponto em Marte, dado o que se sabe atualmente sobre o planeta.

    A equipe de Smith afirma que as manchas nas imagens do radar, que se julgavam ser lagos subterrâneos, poderiam na verdade ser produzidos por minerais argilosos na região polar sul de Marte.

    "Na comunidade que estuda Marte tem havido ceticismo sobre a interpretação do lago, mas ninguém havia oferecido uma alternativa realmente plausível. Por isso, é emocionante poder mostrar que algo mais pode explicar as observações do radar e demonstrar que o material está presente onde ele deveria estar", disse Smith.

    Os cientistas acreditam que as manchas do radar foram causadas por smectites, um tipo de argila que se forma quando rochas vulcânicas envelhecidas sofrem pequenas alterações químicas após interagir com a água. Estes minerais são extremamente abundantes em Marte, e se concentram principalmente nas terras altas do sul do planeta.

    Como parte de seu estudo, os pesquisadores resfriaram as esmectites no laboratório a -43 ºC, a temperatura que pode ser encontrada em Marte. Sua experiência revelou que, mesmo quando misturadas com outros materiais, estas argilas poderiam gerar o tipo de manchas de radar como as detectadas em pesquisas anteriores.

    "Gostaria de repetir as medições a temperaturas ainda mais baixas, e com um conjunto mais diversificado de argilas. Existem outros tipos de argilas encontradas em Marte que eu suspeito que também podem fazer esses reflexos e seria bom acompanhá-los", acrescentou Smith.

    O cientista sublinha que "a ciência é um processo", e que "mostrar que outro material além da água líquida pode causar as observações do radar não significa que foi um erro publicar os primeiros resultados em 2018".

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    Tags:
    Marte, Live Science, Universidade de York (Canadá), Canadá
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