12:46 05 Agosto 2021
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    Ossos de neandertais, de aproximadamente 140 mil anos, descobertos em Israel podem reescrever a história da evolução humana.

    Uma equipe internacional de cientistas descobriu o que poderia ser uma nova espécie humana, batizada como "Homo Nesher Ramla", o mesmo nome do sítio onde os restos foram encontrados, em Israel.

    De acordo com o estudo, um elemento marcante da descoberta é a datação de aproximadamente 140 mil anos, definido como o fim do Pleistoceno Médio.

    "O elemento crucial desta descoberta é, particularmente, a datação, de aproximadamente 140 mil anos, naquele que é definido como o fim do Pleistoceno Médio", explicou um dos autores do estudo, Giorgio Manzi.

    De acordo com o especialista, este período de tempo representa uma "fase de transição" da evolução humana das formas arcaicas do homem para as mais modernas, incluindo os neandertais e os Homo sapiens.

    Professor Israel Hershkovitz, da Universidade de Tel Aviv, com os ossos fossilizados encontrados em Nesher Ramla
    © REUTERS / Ammar Awad
    Professor Israel Hershkovitz, da Universidade de Tel Aviv, com os ossos fossilizados encontrados em Nesher Ramla

    As análises de dados sobre suas ferramentas de pedra, fauna, ambiente e possível comportamento associado aos restos encontrados no sítio israelense, mostraram que os Homo Nesher Ramla eram caçadores eficientes e usavam a madeira para atear fogo, e que sabiam como mantê-lo e também usá-lo para cozinhar.

    Ou seja, estes hominídeos "dominavam plenamente a tecnologia que até há pouco estava relacionada com o Homo sapiens ou os neandertais, observaram os cientistas, ressaltando que as descobertas apontam para as interações culturais entre as diferentes linhagens ancestrais durante o Paleolítico Médio.

    Professor Israel Hershkovitz, da Universidade de Tel Aviv, com os ossos fossilizados encontrados em Nesher Ramla
    © REUTERS / Ammar Awad
    Professor Israel Hershkovitz, da Universidade de Tel Aviv, com os ossos fossilizados encontrados em Nesher Ramla

    Além disso, as análises dos ossos do crânio, mandíbula e segundo molar inferior revelaram que a espécie apresentava "uma combinação distinta de traços neandertais e arcaicos".

    Para os cientistas, estes hominídeos foram os últimos sobreviventes da mesma população ancestral do Pleistoceno Médio, que com toda a probabilidade, esteve envolvida na evolução do homem na Europa e Ásia Oriental no mesmo período.

    "Os restos de Nesher Ramla mostram a contínua alternância nos últimos 200 mil anos de restos humanos de neandertais e humanos modernos [Homo sapiens] nos sítios do Levante Mediterrâneo", afirmou Juan Luis Arsuaga, um dos autores do estudo.

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    Tags:
    descoberta, estudo, estudos, espécies, humanos, Israel
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