23:31 10 Maio 2021
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    O rover Perseverance da NASA converteu, pela primeira vez, parte da atmosfera rica em dióxido de carbono do Planeta Vermelho, em oxigênio. Os astronautas precisam do oxigênio não apenas para respirar, mas também para o propelente de seus foguetes.

    O experimento de conversão de dióxido de carbono em oxigênio foi realizado por um instrumento do tamanho de uma torradeira a bordo do rover, chamado de Experimento de Utilização de Recursos In-Situ de Oxigênio de Marte (MOXIE, na sigla em inglês). O teste ocorreu em 20 de abril, no sexagésimo dia marciano desde que a missão desembarcou em 18 de fevereiro, segundo o comunicado da NASA.

    A tecnologia poderá ser usada para isolar e armazenar oxigênio em Marte, e assim, ajudar a fornecer energia a foguetes que podem levantar astronautas da superfície do planeta, como também fornecer ar respirável para os próprios astronautas.

    "Este é o primeiro passo crítico na conversão de dióxido de carbono em oxigênio em Marte", afirmou Jim Reuter, administrador associado da Diretoria de Missão de Tecnologia Espacial (STMD, na gila em inglês). "O oxigênio não é apenas aquilo que respiramos. O propelente de foguete depende do oxigênio e futuros exploradores dependerão da produção do propelente em Marte para fazer a viagem de volta para casa", disse Reuter.

    Para queimar seu combustível, um foguete deve ter mais oxigênio por peso. Para tirar quatro astronautas da superfície marciana em uma missão futura, seriam necessárias aproximadamente sete toneladas métricas de combustível de foguete e 25 toneladas métricas de oxigênio. Por outro lado, os astronautas que vivem e trabalham em Marte precisam de muito menos oxigênio para respirar.

    "Os astronautas que passam um ano na superfície usarão talvez uma tonelada métrica entre eles", disse Michael Hecht, pesquisador principal do MOXIE.

    Seria difícil transportar 25 toneladas métricas de oxigênio da Terra para Marte, ao invés disso, transportar o pequeno instrumento MOXIE seria muito mais fácil. A atmosfera do Planeta Vermelho consiste em 96% de dióxido de carbono. O MOXIE funciona separando os átomos de oxigênio das moléculas de dióxido de carbono que são formadas por um átomo de carbono e dois átomos de oxigênio. Um produto residual, o monóxido de carbono, é lançado na atmosfera marciana.

    Técnicos do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL, na sigla em inglês) baixam o instrumento Experimento de Utilização de Recursos In-Situ de Oxigênio de Marte (MOXIE, na sigla em inglês) dentro do rover Perseverance
    Técnicos do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL, na sigla em inglês) baixam o instrumento Experimento de Utilização de Recursos In-Situ de Oxigênio de Marte (MOXIE, na sigla em inglês) dentro do rover Perseverance

    Durante este primeiro experimento, a produção de oxigênio pelo MOXIE foi bastante modesta, e converteu cerca de cinco gramas, equivalente a cerca de dez minutos de oxigênio respirável para um astronauta. O MOXIE foi projetado para gerar até dez gramas de oxigênio por hora.

    O rover Perseverance foi lançado em 30 de julho de 2020, e posou com sucesso em Marte em 18 de fevereiro de 2021. Um dos principais objetivos da missão do Perseverance é a astrobiologia, incluindo a procura de sinais de vida microbiana antiga no planeta. O rover caracterizará a geologia de Marte e o clima anterior, e será a primeira missão a coletar e armazenar rochas e regolitos marcianos (rochas quebradas e poeira).

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    Tags:
    atmosfera, oxigênio, Marte, rover, NASA
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