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    Fósseis de últimos neandertais existentes foram reexaminados através de nova tecnologia e foi descoberto que são bem mais antigos do que se imaginava. Revelação pode afetar outros estudos sobre evolução humana.

    Fósseis de neandertais da caverna do espião, na Bélgica, que seriam dos últimos sobreviventes de sua espécie já descobertos na Europa, são milhares de anos mais antigos do que se pensava, de acordo com novo estudo publicado na segunda-feira (8).

    A datação anterior por radiocarbono dos restos revelou idades mais recentes, aproximadamente 24 mil anos, mas os novos testes empurram a idade dos fósseis para 44.200 a 40.600 anos atrás. A pesquisa apareceu no site Proceedings of the National Academy of Sciences e foi realizada por uma equipe de profissionais da Bélgica, Reino Unido e Alemanha.

    O coautor Thibaut Deviese, da Universidade de Oxford e da Universidade Aix-Marseille, disse à AFP que ele e seus colegas desenvolveram um método melhor para preparar as amostras, capaz de excluir contaminantes. Portanto, resultados mais precisos. O novo método ainda depende da medição por radiocarbono, considerada por muito tempo o padrão ouro de datação arqueológica, mas refina a forma como os espécimes são coletados.

    Maxilar e mandíbula de um neandertal da Caverna do Espião, na Bélgica, que se pensava pertencer aos últimos sobreviventes de sua espécie na Europa, são na verdade milhares de anos mais velhos, de acordo com novo estudo divulgado em 8 de março de 2021
    © AFP 2021 / Patrick Semal
    Maxilar e mandíbula de um neandertal da Caverna do Espião, na Bélgica, que se pensava pertencer aos últimos sobreviventes de sua espécie na Europa, são na verdade milhares de anos mais velhos, de acordo com novo estudo divulgado em 8 de março de 2021

    Todas as coisas vivas absorvem carbono da atmosfera e de seus alimentos, incluindo a forma radioativa de carbono-14, que se decompõe com o tempo. Como as plantas e os animais param de absorver o carbono-14 quando morrem, a quantidade que resta quando são datados nos diz há quanto tempo eles viveram.

    Saber quando nossos parentes humanos mais próximos desapareceram é considerado um primeiro passo importante para entender mais sobre sua natureza, capacidades e os motivos da extinção.

    "O que fizemos foi dar um passo adiante", disse Deviese. A equipe procurou os blocos de construção do colágeno, moléculas chamadas aminoácidos e, em particular, selecionou aminoácidos individuais específicos que eles podiam ter certeza de que faziam parte do colágeno. Isso foi feito, pois a contaminação do ambiente do cemitério ou por meio de colas usadas em trabalhos de museu podem estragar a amostra.

    Os autores também dataram espécimes neandertais de dois locais adicionais na Bélgica, Fonds-de-Foret e Engis, encontrando idades comparáveis. "Datar todos esses espécimes belgas foi muito emocionante, pois eles desempenharam um papel importante na compreensão e definição dos neandertais", disse o coautor Gregory Abrams, do Centro Arqueológico da Caverna Scladina, na Bélgica.

    O sequenciamento genético foi, entretanto, capaz de mostrar que um osso do ombro de um neandertal de 28.000 anos atrás estava fortemente contaminado com DNA bovino, sugerindo que o osso tinha sido preservado com uma cola feita de ossos de gado.

    "O cruzamento de dados é crucial em arqueologia. Sem uma estrutura confiável de cronologia, não podemos estar realmente confiantes na compreensão das relações entre os neandertais e o Homo sapiens", acrescentou o coautor Tom Higham, da Universidade de Oxford.

    Outros estudos podem necessitar de reavaliações após esta descoberta. Segundo Deviese, o uso de certas ferramentas de pedra, por exemplo, foi atribuído aos neandertais e interpretado como um sinal de sua evolução cognitiva. Mas se a linha do tempo para a existência dos neandertais for diferente da anteriormente pensada, as indústrias paleolíticas deveriam ser reexaminadas para determinar se realmente foram obra das espécies extintas de hominídeos, acrescentou Deviese.

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