18:51 18 Maio 2021
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    A China disse nesta segunda-feira (4) que abrirá o maior radiotelescópio do mundo, o FAST, para cientistas estrangeiros, incluindo aqueles em busca de vida alienígena.

    Ainda não está claro se a China cobrará dos cientistas estrangeiros pelo serviço. A colaboração científica entre China e o Ocidente, especialmente com os Estados Unidos, foi interrompida por tensões políticas entre os lados nos últimos anos. Porém, astrônomos chineses esperam que o telescópio possa se tornar uma nova plataforma para cooperação internacional, escreve o South China Morning Post.

    A equipe do FAST já colabora com Breakthrough Listen, um projeto de US$ 100 milhões (cerca de R$ 5,2 bilhões) lançado pelo empresário russo-israelense Yuri Milner para buscar formas de vida inteligentes.

    Com a decisão desta segunda-feira (4), os pesquisadores interessados ​​em usar o telescópio, que fica na região sudoeste de Guizhou, podem enviar suas propostas ao Observatório Astronômico Nacional, em Pequim, a partir de 1º de abril.

    Veículo deixa rastros de luz em uma foto de longa exposição sob o Telescópio Esférico de Abertura de 500 metros (FAST)
    © AP Photo / Liu Xu / Xinhua
    Veículo deixa rastros de luz em uma foto de longa exposição sob o Telescópio Esférico de Abertura de 500 metros (FAST)
    Como a demanda deve ser grande, um painel de especialistas chineses ajudará a selecionar as propostas dos candidatos mais promissores. Cientistas estrangeiros podem começar a usar as instalações em agosto, disse Jiang Peng, engenheiro-chefe do projeto.

    A importância do FAST

    A China é, atualmente, o único país do mundo que opera um telescópio gigante, após o colapso do equipamento de Arecibo, em Porto Rico, resultado de furacões na região e da falta e manutenção adequada.

    ​Arecibo, construído pelos EUA, foi usado por cientistas de todo o mundo para diversos fins, tais como a observação de objetos espaciais e a busca de vida inteligente, tendo emitido o primeiro sinal de rádio interestelar, destinado a ser captado por eventuais civilizações fora de nosso planeta. Suas últimas descobertas foram os misteriosos sinais espaciais detectados em 2016.

    O diferencial do FAST é que ele pode interceptar sinais que outros radiotelescópios não conseguem, possivelmente incluindo ondas de rádio geradas por extraterrestres. Por meio dele, a China já detectou alguns exoplanetas próximos ao nosso sistema solar que podem ser capazes de sustentar vida.

    Telescópio gigantesco FAST está construído em Pingtang na província sudoeste chinesa de Guizhou, China, 29 de julho de 2015
    © AFP 2021 / Stringer
    Telescópio gigantesco FAST está construído em Pingtang na província sudoeste chinesa de Guizhou, China, 29 de julho de 2015

    Em um experimento realizado em 2019, o telescópio se concentrou no GJ273b, um planeta com cerca de três vezes o tamanho da Terra e a 12 anos-luz de distância.

    A observação durou apenas cerca de cinco minutos, mas os cientistas fizeram uma descoberta importante: eles calcularam que se uma civilização alienígena construísse uma antena de 70 gigawatts e enviasse sinais para a Terra, ela poderia ser detectada pelo FAST, e vice-versa.

    A equipe chinesa também planeja usar o telescópio para pesquisar formas de vida alienígena mais distantes, que podem estar usando tecnologia muito superior à nossa.

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    Tags:
    planetas, sistema extrasolar, vida extraterrestre, extraterrestre, exoplaneta, EUA, China, telescópio, radiotelescópio
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