00:40 26 Novembro 2020
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    Um crânio da Idade do Bronze com marcas de uma trepanação de "precisão milimétrica" surpreendeu os cientistas.

    Antropólogos do Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Rússia identificaram marcas de uma operação cirúrgica em um crânio do terceiro milênio a.C., encontrado na Crimeia, Rússia.

    Embora tenha sido descoberto em 2017 durante uma escavação na Crimeia, os cientistas só recentemente publicaram os detalhes do estudo, que levou três anos.

    Os arqueólogos encontraram uma tumba com os restos de um homem de entre 20 e 29 anos de idade, dentro de uma estrutura retangular de madeira.

    O corpo do homem havia sido colocado sobre um tapete ou uma cobertura de couro, como demonstrou a camada de elementos orgânicos encontrados na laje de pedra que servia de piso da cova.

    Os pesquisadores disseram que se trata de uma descoberta única, já que esta é uma amostra de uma das maiores trepanações cranianas da Idade do Bronze, surpreendendo pela extensão e precisão do trabalho cirúrgico.

    "Este é um exemplo da surpreendente arte de um antigo mestre cirurgião que, com precisão milimétrica, raspou com um instrumento de pedra uma área bastante grande do osso, deixando a placa óssea mais fina, com menos de um milímetro de espessura, sem uma penetração letal na cavidade craniana, onde se encontram grandes vasos sanguíneos", comentou a doutora Maria Dobrovolskaya, do Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Rússia.

    A trepanação, de aproximadamente 140 milímetros por 125, foi realizada entre as zonas parietal e occipital do crânio e cobre uma área significativa da caixa craniana.

    Agora, o que mais interessa aos cientistas é o propósito dessa trepanação. Naquela época, estas operações eram feitas por razões rituais ou medicinais, como, por exemplo, para aliviar as dores de cabeça.

    "No caso da trepanação, é importante que haja uma parte, mesmo que seja muito pequena, com vestígios de processo inflamatório no interior da caixa craniana, para entender se esta inflamação determinou a trepanação, ou se foi sua consequência. Por isso, teremos que seguir pesquisando", explicou Dobrovolskaya.

    A cientista também ressaltou que o jovem morreu pouco depois da cirurgia, embora nessa época a taxa de sobrevivência depois de trepanações fosse alta.

    "Paradoxalmente, isso é uma raridade, pois na Antiguidade a maioria das pessoas sobrevivia em segurança, inclusive após diversas trepanações", observou.

    Na região, eram realizadas trepanações no período de transição do Neolítico para a Idade do Bronze e durante diversos períodos desta última. Anteriormente, foram encontrados aproximadamente 15 crânios com vestígios deste procedimento cirúrgico, o que indica a existência de tradições associadas ao uso desta operação entre a população da região.

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    Tags:
    cirurgia, Rússia, arqueólogos, arqueólogo, arqueologia, descoberta, crânio
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