16:39 27 Outubro 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    0 40
    Nos siga no

    O asteroide Bennu possui compostos orgânicos essenciais à vida tal como a conhecemos na Terra.

    Os cientistas da missão da sonda espacial OSIRIS-REx anunciaram novas descobertas na superfície do asteroide Bennu, que incluem suas características geológicas e dados de mapeamento de alta resolução. Os novos dados foram publicados nesta quinta-feira em uma série de artigos nas revistas Science e Science Advances, informa o site da NASA.

    Os estudos são baseados nos dados obtidos pela sonda da agência espacial norte-americana entre fevereiro e outubro de 2019.

    Atualmente, a sonda se prepara para cumprir seu maior objetivo no dia 20 de outubro, quando recolherá amostras da superfície do asteroide. De acordo com as novas observações, o relevo e as características de Bennu são mais ricos e complexos do que se esperava.

    Asteroide Bennu
    © AP Photo / NASA/Goddard/Universidade do Arizona
    Asteroide Bennu

    Um dos novos estudos, dirigido por Amy Simon, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, demonstrou que os compostos orgânicos contendo carbono (considerados precursores da vida) estão difundidos na superfície do asteroide, particularmente na cratera de Nightingale, onde a OSIRIS-REx deve fazer a primeira tentativa para obter amostras. Dessa forma, é provável que os materiais a serem coletados contenham minerais hidratados e compostos orgânicos.

    "A abundância de compostos contendo carbono é um grande trunfo científico para a missão. Estamos otimistas de que obteremos uma amostra com material orgânico, o objetivo central da missão OSIRIS-REx", afirmou Dante Lauretta, líder da missão na Universidade do Arizona.

    Os pesquisadores suspeitam que ao menos parte da água e das moléculas orgânicas existentes na Terra sejam provenientes dos asteroides, algo que faz o estudo de Bennu ser fundamental para o entendimento da história do nosso planeta.

    Fragmentos do asteroide Vesta na superfície do asteroide Bennu
    © Foto / NASA / Goddard / Universidade do Arizona
    Fragmentos do asteroide Vesta na superfície do asteroide Bennu

    Os cientistas também determinaram que os minerais carbonatados fazem parte das características geológicas do asteroide. Estes minerais se precipitam de sistemas hidrotermais que possuem água e dióxido de carbono, explica a NASA.

    "Qualquer amostra que obtivermos, independentemente da localização, deve ter estes minerais hidratados e possuir material que contenha carbono", considera Amy Simon, da equipe OSIRIS-REx.

    Bennu é composto por dois tipos de rochas com composições minerais similares, porém de diferentes cores e propriedades. As rochas escuras de Bennu são mais fracas, mais porosas e mais comuns.

    Os dados obtidos pelo altímetro laser da OSIRIS-REx permitiram à equipe desenvolver um modelo digital 3D do relevo do asteroide, que é inédito em seus detalhes e precisão.

    Asteroide Bennu capturado em foto pela sonda OSIRIS-REx da NASA
    Asteroide Bennu capturado em foto pela sonda OSIRIS-REx da NASA

    O hemisfério sul de Bennu é mais arredondado e suave, enquanto o hemisfério norte é mais alto e irregular.

    A sonda foi lançada no espaço em setembro de 2016 e, desde que chegou ao corpo celeste em dezembro de 2018, permanece em órbita, mapeando sua superfície.

    O Bennu, que tem um diâmetro de aproximadamente 500 metros, foi considerado um asteroide próximo à Terra. Ele completa uma órbita em torno do Sol a cada 436.604 dias, e a cada seis anos se aproxima da Terra, fazendo com que exista uma probabilidade de impacto em nosso planeta até o final do século XXII.

    Mais:

    Asteroide Psyche poderia ser núcleo de planeta que não se formou, dizem cientistas
    Chuva de asteroides se aproxima da Terra com um deles passando 3 vezes mais perto que a Lua
    Asteroide que passará próximo da Terra é descoberto por estudantes de 14 anos (FOTO)
    Tags:
    Terra, cientistas, estudo, asteroide
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar