05:13 23 Outubro 2020
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    Coronavírus no mundo no início de setembro (48)
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    Pesquisadores observaram que o coronavírus pode provocar uma "tormenta de bradicinina", um peptídeo fisiológico que causa vasodilatação.

    Para saber como o coronavírus "sequestra" o organismo das pessoas infectadas, uma equipe de cientistas norte-americanos realizou uma nova análise da expressão genética das células da superfície epitelial das vias respiratórias de pessoas contagiadas pela COVID-19.

    Desta forma, pretendem sequenciar o SARS-CoV-2 e avançar no terreno de possíveis intervenções terapêuticas para tratar seus efeitos.

    Graças ao supercomputador Summit, localizado no Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos EUA, os pesquisadores processaram mais de 40 mil genes de 17 mil amostras para compreender melhor a doença. O exame implicou a análise de 2,5 bilhões de combinações genéticas durante mais de uma semana.

    'Momento eureca'

    Segundo uma entrevista concedida nesta quarta-feira (2) à Elemental por Daniel Jacobson, o principal autor do estudo, os resultados revelaram um "momento eureca", quando os pesquisadores observaram que a COVID-19 leva a uma "tormenta de bradicinina", o que poderia ser a explicação de muitos aspectos da doença.

    Basicamente, este mal-estar faz com que os vasos sanguíneos tenham fugas de água que pode penetrar em tecidos vizinhos, alinhando a doença com as hipóteses, cada vez mais difundidas, que situam a COVID-19 como uma doença principalmente vascular, em lugar de respiratória.

    'Como respirar através de gelatina'

    Além do mais, as análises mostram que o vírus aumenta a produção de ácido hialurônico (HLA) nos pulmões, uma substância comumente usada em sabões por sua capacidade para absorver mais de mil vezes seu peso líquido.

    Para tal, quando o HLA se combina com uma fuga de líquido até os pulmões, se forma um hidrogel que impede a respiração. "É como tentar respirar através de gelatina", afirmou Jacobson na entrevista, salientando que os pacientes podem se asfixiar até mesmo enquanto recebem total assistência.

    Além disso, o especialista agregou que a descoberta pode inspirar mais de dez tratamentos potenciais, muitos dos quais já foram aprovados pela Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) dos EUA.

    Os resultados do estudo, publicado em julho na revista eLife Sciences, explicam que uma infecção por COVID-19 geralmente começa quando o vírus entra no corpo através dos receptores ACE2 do nariz.

    Imagem de microscópio eletrônico de transmissão mostra SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19
    Imagem de microscópio eletrônico de transmissão mostra SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19

    A partir destes receptores, avançam posteriormente através do organismo e ingressam em outras células onde também está presente este tipo de receptor, como os intestinos, os rins e o coração.

    Desde esta premissa se explicariam alguns dos sintomas cardíacos e gastrointestinais da doença. Porém, o vírus não somente afeta as células com receptores ACE2, mas também sequestra os sistemas do corpo e os engana para que aumentem este tipo de enzima em lugares onde geralmente se registram níveis baixos ou médios, incluindo os pulmões.

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    Tags:
    sintomas, infecção, doença, pandemia, ciência, pesquisa, novo coronavírus, COVID-19
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