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    New Horizons, a nave da NASA de estudo de Plutão e do Cinturão de Kuiper, encontra-se agora nos limites do Sistema Solar, produzindo algumas vistas inéditas do cosmo.

    New Horizons é uma missão não tripulada da NASA para estudo de Plutão e do Cinturão de Kuiper. Lançada em 2006, sobrevoou Plutão em 2015 a cerca de 12.500 km de distância, a uma velocidade de 45.000 km/h.

    Agora, no limiar do Sistema Solar, a espaçonave New Horizons está produzindo algumas vistas inéditas do cosmo.

    Estrelas vistas da Terra

    Aqui na Terra estamos acostumados a pensar que as posições das estrelas são "fixas". Em certo sentido, elas são, já que suas posições e movimentos se revelam relativamente uniformes quando vistas da nossa perspectiva.

    Mas um experimento recém-conduzido pela equipe da New Horizons mostra como estrelas que nos são familiares, como as anãs vermelhas Proxima Centauri e o Wolf 359, parecem diferentes quando vistas a partir das bordas do Sistema Solar.

    Juntamente com a estrela de Barnard e um punhado de anãs marrons, elas são as nossas vizinhas estelares mais próximas.

    Estrelas vistas dos limites do Sistema Solar

    Quando a New Horizons fotografou essas estrelas a uma distância de aproximadamente sete bilhões de quilômetros da Terra, estas apresentaram um aspecto diferente de quando visionadas a partir da Terra.

    Por isso, a equipe da New Horizons decidiu proceder a medições de paralaxe. Em astronomia, paralaxe é a diferença na posição aparente de um objeto visto por observadores em locais distintos. A paralaxe estelar é utilizada para medir a distância das estrelas utilizando o movimento da Terra em sua órbita há dois séculos.

    Paralaxe entre a Terra e a espaçonave New Horizons
    © Foto / NASA
    Paralaxe entre a Terra e a espaçonave New Horizons

     

    Tradicionalmente, astrônomos têm confiado no próprio movimento orbital da Terra para determinar essas distâncias. Como a órbita da Terra é de cerca de 300 milhões de quilômetros de diâmetro, seu ponto de vista muda consideravelmente no decorrer de um ano.

    Mas com distâncias maiores e a órbita da Terra como linha de base, os astrônomos podem realizar medições de paralaxe maiores. Dada a distância atual da nave da Terra, a equipe da missão New Horizons e a NASA decidiram fazer isso mesmo.

    O experimento

    Como parte deste programa de paralaxe, imagens de Proxima Centauri e Wolf 359 foram tiradas em 22 e 23 de abril, respectivamente, pela nave espacial New Horizons.

    A alteração vista em Proxima Centauri (à esquerda) e Wolf 359 (à direita)
    © Foto / NASA/JHUAPL
    A alteração vista em Proxima Centauri (à esquerda) e Wolf 359 (à direita)

     

    Nas mesmas datas e momentos, foram coletadas imagens de ambas estrelas a partir da Terra.

    Este experimento estereoscópico de medição paralaxe bateu todos os recordes, tendo as fotografias de Proxima Centauri e Wolf 359 usado a maior distância entre pontos de vista já alcançada em 180 anos de estereoscopia.

    Foram criadas imagens 3D de ambas estrelas, que podem ser visualizadas no site da New Horizons. Para aqueles que não têm acesso a óculos 3D, as imagens são posadas lado a lado para visualização em estéreo e de olhos cruzados. Basta seguir as instruções para perceber o efeito.

    Implicações futuras

    Outro resultado impressionante são as implicações que isto tem para a navegação estelar. Ao longo da história, os navegadores têm usado as estrelas para determinar sua posição na Terra.

    Em um futuro próximo, navegadores interestelares poderiam usar esta técnica para estabelecer sua posição na galáxia.

    Atualmente, naves espaciais dependem da eficaz Rede de Espaço Profundo da NASA, rede de antenas internacionais para comunicar e monitorar as diversas naves espaciais no espaço.

    Contudo, usar estrelas (sobretudo os pulsares) para navegar pelo espaço poderá ser o método preferido de exploração da galáxia no futuro.

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    Tags:
    estrelas, telescópio, Universo, Terra
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