05:26 11 Agosto 2020
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    Cientistas descobriram no Chile o primeiro "berçário fóssil" do grande tubarão-branco. O achado proporcionará uma melhor compreensão da evolução do maior predador dos oceanos de hoje.

    O mérito coube a uma equipe internacional de cientistas liderada por Jaime A. Villafaña do Instituto de Paleontologia da Universidade de Viena. A pesquisa resultou em um artigo científico, publicado no portal Phys.org.

    Carismático e temível

    O grande tubarão branco (Carcharodon carcharias) é um dos mais carismáticos, mas também um temível tubarão.

    Apesar da sua importância como predador de topo nos ecossistemas marinhos, é considerado ameaçado de extinção. Seu crescimento muito lento e sua reprodução tardia com poucos descendentes são, para além de razões antropogénicas, os fatores responsáveis por esse fato.

    Tubarão-branco no mar
    Tubarão-branco no mar

    Os pesquisadores, assinala o portal, creem que o estudo também poderia contribuir para a proteção destes animais ameaçados de extinção.

    Os tubarões-brancos jovens nascem em áreas especiais de reprodução, onde são protegidos de outros predadores até que sejam suficientemente grandes para não os temerem mais.

    Tais viveiros ou berçários são essenciais para a manutenção de populações reprodutoras estáveis, têm influência direta na distribuição espacial dos animais e garantem a sobrevivência e o sucesso evolutivo da espécie.

    Os pesquisadores têm, por essa razão, intensificado a busca por tais viveiros nos últimos anos, a fim de mitigar o atual declínio populacional dos tubarões através de medidas de proteção adequadas.

    "Nosso conhecimento sobre os atuais locais de reprodução do grande tubarão-branco ainda é muito limitado. Os paleoberçários, então, são completamente desconhecidos", explica Jaime Villafaña.

    Berçário com milhões de anos

    Ele e seus colegas analisaram os dentes fósseis de 5 a 2 milhões de anos deste fascinante tubarão, que foram encontrados em vários locais ao longo da costa do Pacífico do Chile e do Peru, para reconstruir os padrões de distribuição e tamanho destes grandes tubarões no passado remoto.

    ​Descoberto primeiro berçário fóssil do grande tubarão-branco

    Os resultados apurados mostram que o seu tamanho variou consideravelmente ao longo da costa sul-americana do Paleo-Pacífico.

    Uma dessas localidades no norte do Chile, Coquimbo, revelou a maior porcentagem de tubarões jovens e a menor porcentagem de adolescentes. Os animais sexualmente maduros estavam completamente ausentes.

    Importância do achado

    Este primeiro paleoviveiro do grande tubarão-branco é de enorme importância. Estando datado de uma época em que o clima era muito mais quente do que hoje, poderemos retirar importantes ilações para o aquecimento global no futuro.

    "Se entendermos o passado, ele nos permitirá tomar hoje as medidas de proteção adequadas para garantir a sobrevivência deste predador de topo, que é de extrema importância para os ecossistemas", explica o paleobiólogo Jurgen Kriwet, coautor do estudo.

    "Nossos resultados indicam que o aumento da temperatura da superfície do mar vai mudar a distribuição dos peixes nas zonas temperadas e alterar esses importantes locais de reprodução no futuro", acrescentou o biólogo paleontologista.

    Isto teria um impacto direto na dinâmica populacional do grande tubarão-branco e também afetaria seu sucesso evolutivo no futuro.

    "Estudos de viveiros passados e presentes e sua resposta às mudanças de temperatura e paleo-oceanográficas são essenciais para proteger tais espécies-chave", concluiu Jürgen Kriwet.

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