10:57 19 Setembro 2020
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    Cientistas russos provaram em um estudo que os microorganismos são capazes de sobreviver na atmosfera de Vênus, na superfície de Marte e no gelo do satélite Europa do planeta Júpiter.

    A conclusão, da autoria de cientistas do Instituto Russo de Pesquisas Espaciais (IKI, na sigla em russo) da Academia de Ciências da Rússia, foi referida no relatório anual do IKI de 2019, publicado no site do Instituto.

    Replicando Vênus

    "Na atmosfera de Vênus, onde as camadas superiores da atmosfera do planeta estão expostas aos raios cósmicos e a mudanças bruscas de temperatura, poderia haver microorganismos associados a partículas minerais", opinam os cientistas do IKI.

    Para testar esta hipótese, o laboratório examinou o efeito da radiação em fungos microscópicos de solo seco, os micromicetas, a baixas temperaturas e pressões.

    Os cientistas apuraram que a exposição dos micromicetas a altas doses de radiação ionizante não levava à morte da maioria destes fungos do solo.

    Simulando Marte

    Além disso, cientistas do IKI estudaram a sobrevivência de microorganismos capturados no Ártico sob condições similares às da superfície de Marte, expondo as amostras à radiação e a uma temperatura de 50º C negativos.

    "Apurou-se que essa exposição não causou danos significativos ao complexo bacteriano", referem os cientistas.

    Além disso, os pesquisadores estudaram bactérias recolhidas no solo do Deserto de Mojave (EUA), consideradas como análogas terrestres das hipotéticas comunidades microbianas de Marte.

    Imagem dos cânions Valles Marineris em Marte
    Imagem dos cânions Valles Marineris em Marte

    "Foi detectado um alto número e diversidade de microorganismos, bem como a alta resistência das culturas bacterianas a uma ampla gama de fatores de estresse, como temperatura da cultura, pH do meio, presença de sais e oxidantes fortes", escreve-se no relatório.

    Vivendo no gelo

    O IKI também avaliou a possibilidade de sobrevivência de hipotéticos microorganismos no gelo do satélite Europa, enterrando bactérias em gelo a 130 graus Celsius negativos e à pressão apropriada. As bactérias sobreviveram.

    "Dada a intensidade da radiação e a velocidade da renovação da superfície, pressupomos que células se mantenham vivas no gelo a uma profundidade de 10-100 centímetros durante mil-dez mil anos após a liberação da água do oceano subterrâneo", refere o relatório sobre os resultados dos estudos.

    Fica assim demonstrado que microorganismos são capazes de sobreviver na atmosfera de Vênus, na superfície de Marte e no gelo do satélite Europa do planeta Júpiter.

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    Ártico, Vênus, Marte
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