12:35 03 Junho 2020
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    Pesquisadores descobriram algo inédito sobre a linguagem, sugerindo que a rede neural crucial para habilidade de comunicação humana surgiu 25 milhões de anos atrás, ou seja, 20 milhões de anos antes do imaginado.

    Redes neurais são circuitos de neurônios interconectados, que permitem a transmissão de sinais elétricos entre diferentes partes do cérebro. Em humanos, uma dessas redes, o fascículo arqueado, é conhecida por ser crucial para a linguagem.

    "Trata-se de um feixe que interconecta zonas cerebrais que são importantes para a linguagem. Se este feixe ou alguma de suas zonas são comprometidos devido a um derrame ou degeneração do cérebro, uma pessoa pode imediatamente (devido ao derrame) ou progressivamente (devido à demência) perder a habilidade de compreender ou produzir uma linguagem", afirma à publicação Newsweek Christ Petkov, membro da Universidade de Newcastle (Reino Unido) e principal autor do estudo publicado pela Nature Neuroscience.

    Anteriormente, se acreditava que um precursor do fascículo arqueado surgiu há aproximadamente cinco milhões de anos, quando humanos e chipanzés compartilhavam um ancestral em comum. Contudo, de acordo com o estudo, este precursor pode ter surgido 20 milhões de anos mais cedo, além da separação do ancestral comum de humanos e macacos.

    "É como encontrar o fóssil de um ancestral perdido há muito tempo. Também é entusiasmante o fato de que talvez exista uma origem mais antiga, que ainda será descoberta", comenta Petkov em comunicado.

    Em humanos, pesquisadores identificaram um segmento da rede linguística que conecta o córtex auditivo – que processa a informação auditiva – a regiões no córtex frontal do cérebro, que são responsáveis pela fala e produção vocal. Além disso, eles descobriram que os cérebros de símios e macacos possuem suas próprias versões desta rede.

    "Uma vez que somente humanos possuem fala e linguagem da forma que as conhecemos, esta nova informação e a conexão pelo sistema auditivo indica que os ancestrais de humanos e macacos, que também não possuíam uma linguagem, tinham capacidades sofisticadas de audição e comunicação vocal como símios e macacos", agregou Petkov. "Estas capacidades e a rede cerebral ancestral, que as sustenta, aparentemente têm uma base evolucionária em que a rede de linguagem evoluiu para a linguagem dos ancestrais humanos."

    O estudo também indica que esta rede estava presente em um ancestral primata em comum, que viveu há 25 milhões de anos, ainda que os pesquisadores não tenham conseguido identificar sua origem.

    "Esta nova descoberta é encorajadora, pois indica que deveríamos olhar com mais atenção o segmento auditivo da rede de linguagem no cérebro humano e talvez até mesmo encontrar outras. A linguagem pode ser falada, escrita ou sinalizada, mas se uma dessas redes estiver mais ou menos intactas depois de um derrame, isso pode prover um caminho para diagnósticos mais precisos da recuperação da linguagem e novas ideias sobre a reabilitação para melhorar as capacidades linguísticas", argumenta o pesquisador da universidade britânica.

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    Tags:
    universidade, estudo, pesquisa, ciência, linguagem
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