02:37 25 Outubro 2020
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    Recente estudo de cientistas da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM) desvenda um dos conhecidos paradoxos de percepção visual.

    No seu artigo publicado na revista NeuroImage, os pesquisadores explicam que o resultado obtido pode ser usado para futuros estudos da esquizofrenia e epilepsia.

    Os cientistas sublinham que em cada momento temporal o ser humano recebe um volume enorme de informação visual. O cérebro só consegue processar uma parte desta informação, a suficiente para formar uma percepção geral.

    Esta otimização permite adaptar-se ao ambiente, mas também tem seu preço. Por exemplo, para definir o sentido do movimento observado no centro do campo de visão, o cérebro "desacelera" a percepção periférica.

    Isso leva a um paradoxo: frequentemente nós temos dificuldade em determinar a direção do movimento do objeto que observamos quando ele ocupa a maioria do nosso campo visual, especialmente se o movimento for de grande velocidade. Este fenômeno foi descrito há muito, mas o mecanismo que o produz tem permanecido um mistério.

    Usando o método de magnetoencefalografia (MEG), a equipe da UEPPM descobriu que a aceleração de grandes objetos ativa grupos de neurônios que reprimem a atividade de áreas do córtex visual responsáveis pela detecção do sentido do movimento observado.

    "Surpreendentemente, a capacidade de determinar o sentido do movimento pode melhorar graças a certas doenças. Existe a hipótese de que tal 'melhora' se deva ao enfraquecimento do funcionamento dos neurônios inibidores. As ondas gama (oscilações rápidas da atividade eletromagnética do cérebro), registradas pela MEG, permitem avaliar o equilíbrio entre os impulsos inibidores e motores, permitindo detectar se em uma pessoa concreta este equilíbrio está desajustado", comenta a pesquisadora sênior Elena Orekhova, do centro de MEG da UEPPM.

    As ondas gama mais informativas, de acordo com os especialistas, são as provocadas por estímulos visuais. Os cientistas da UEPPM dizem ser os primeiros no mundo a definir quais as propriedades das ondas gama que refletem a eficiência de processos de frenagem dos neurônios.

    De acordo com os autores, os resultados obtidos não só descrevem o funcionamento de um cérebro saudável, mas também são úteis para a compreensão de mecanismos de certas doenças nervosas e mentais (esquizofrenia, autismo, epilepsia).

    MEG é a única tecnologia capaz de registrar ondas gama, fazendo-o sem contato e com um grande nível de confiabilidade. Há cerca de 200 aparelhos de MEG em todo o mundo. O único que existe na Rússia funciona na UEPPM.

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    Tags:
    audiovisual, visualizações, cérebro
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