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    Quatro dentes de macaco fossilizados descobertos nas profundezas da Amazônia peruana fornecem novas provas de que mais de um grupo de primatas antigos atravessou o oceano Atlântico vindos da África.

    A novidade foi anunciada em um estudo publicado em 10 de abril na revista Science, e é da autoria de uma equipe internacional de cientistas.

    Os dentes são de uma espécie recém-descoberta pertencente a uma extinta família de primatas africanos conhecida como Parapithecidae, que viveu nos períodos Eoceno e Oligoceno no atual Egito.

    Outros fósseis descobertos anteriormente no mesmo local, no Peru, tinham sido a primeira prova de que os macacos sul-americanos evoluíram de primatas africanos.

    Acredita-se que os macacos tenham feito a viagem de mais de 900 milhas náuticas (1.667 quilômetros) em destroços flutuantes de vegetação que se separaram das linhas costeiras, possivelmente durante uma tempestade.

    "Esta é uma descoberta completamente única", afirmou Erik Seiffert, autor principal do estudo e professor de Ciências Anatômicas Clínicas Integrativas na Faculdade de Medicina de Keck da Universidade Estatal da Califórnia (EUA).

    "Mostra que, além dos macacos do Novo Mundo e de um grupo de roedores conhecidos como caviomorfos, existe esta terceira linhagem de mamíferos que, de alguma forma, fizeram uma inesperada viagem transatlântica para chegar da África à América do Sul", acrescentou.

    Dentes antigos descobertos no Peru indiciam que macacos já extintos atravessaram o Atlântico vindos da África

    Pesquisadores deram o nome ao macaco extinto de Ucayalipithecus perdita. O nome vem de Ucayali, a região da Amazônia peruana onde foram encontrados os dentes, de pithikos, a palavra grega para macaco, e perdita, a palavra latina para perdido.

    Ucayalipithecus perdita teria sido muito pequeno, semelhante em tamanho a um saguim ou mico dos tempos modernos.

    Datação da migração

    Pesquisadores acreditam que o local em Ucayali onde os dentes foram encontrados é de uma época geológica conhecida como Oligoceno, que se estendeu de 34 milhões para 23 milhões de anos atrás.

    Com base na idade do local e na proximidade do Ucayalipithecus aos seus parentes fósseis do Egito, pesquisadores estimam que a migração possa ter ocorrido há cerca de 34 milhões de anos.

    Os cientistas creem que o grupo poderia ter chegado à América do Sul no período de transição entre o final do Eoceno e o início do Oligoceno, quando o manto de gelo antártico começou a acumular-se e o nível do mar baixou, podendo dessa forma ter facilitado a travessia pelo oceano Atlântico.

    Descoberta improvável

    Dois dos dentes do Ucayalipithecus perdita foram identificados por coautores argentinos do estudo em 2015, mostrando que os macacos do Novo Mundo tinham antepassados africanos. Quando Seiffert foi solicitado a ajudar a descrever estes espécimes em 2016, notou a semelhança dos dois molares superiores partidos com uma espécie de macaco Parapithecidae extinta há 32 milhões de anos, do Egito, que o pesquisador tinha estudado anteriormente.

    Uma expedição ao local fóssil peruano em 2016 levou à descoberta de mais dois dentes pertencentes à nova espécie. A semelhança destes dentes novos inferiores com os do macaco egípcio confirmou a Seiffert que o Ucayalipithecus era descendente de antepassados africanos.

    "O que mais me impressiona neste estudo do que qualquer outro em que eu tenha participado é o quão improvável tudo isto é", disse Seiffert, aludindo ao fato de terem encontrado os dentes no meio do nada em plena Amazônia e dessa forma terem podido revelar a tão improvável viagem feita por aqueles primatas.

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    Tags:
    Atlântico, África, Peru, Amazônia, dentes, macaco
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