14:48 14 Julho 2020
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    Aparentemente, os primeiros humanos sobreviveram à erupção de um vulcão há 74 mil anos e ao inverno vulcânico resultante, afirmam pesquisadores.

    Através de estudos sobre ferramentas de pedra em um sítio arqueológico na Índia, pesquisadores encontraram ocupações contínuas desde há 80 mil anos, levantando importantes questões sobre os movimentos migratórios para o Leste Asiático e a Austrália.

    Monte Toba é um grande vulcão na ilha de Sumatra, na Indonésia. Sua caldeira forma o que hoje é conhecido como Lago Toba – o maior lago de cratera do mundo. Após sua fortíssima erupção, acredita-se que ocorreu um inverno vulcânico na Terra, com temperaturas baixas por muitos anos, revela a publicação Newsweek.

    Ilustração da erupção do vulcão Toba na ilha de Sumatra, Indonésia
    Ilustração da erupção do vulcão Toba na ilha de Sumatra, Indonésia

    A erupção – a maior na Terra nos últimos dois milhões de anos – coincidiu com as primeiras migrações humanas da África para a Ásia. O possível impacto desde acontecimento é objeto de interesse de muitos cientistas.

    Pensava-se que a erupção teria exterminado qualquer humano que tenha chegado até tão longe, atrasando a migração da humanidade para o leste. Também se considerava que este evento criou um gargalo populacional no leste da África e na Índia, com alguns até mesmo afirmando que isto quase levou nossa espécie à extinção.

    No entanto, evidências sugerem que este não foi o caso. Em 2017, pesquisadores publicaram evidências que demonstram que os humanos viveram em Sumatra entre 73 e 63 mil anos atrás, após a erupção do vulcão. Um estudo publicado no ano seguinte também estabeleceu que os humanos no Sul da África prosperavam no período que se seguiu à erupção.

    Pesquisadores afirmam que o Homem deixou a África em várias ondas de migrações a partir de 175 mil anos atrás. No último estudo, publicado pela revista Nature Communications, cientistas liderados por Chris Clarkson, da Universidade de Queensland (Austrália), examinaram ferramentas de pedra encontradas no sítio arqueológico de Dhaba, no centro da Índia.

    Sítio arqueológico em Dhaba, Índia
    © Foto / Christina Nuedorf
    Sítio arqueológico em Dhaba, Índia

    Suas descobertas comprovam que humanos chegaram ao local ao menos há 80 mil anos, e permaneceram até 48 mil anos atrás. Nessa época ocorreu uma mudança de tecnologia para ferramentas menores. Os pesquisadores não encontraram nenhuma interrupção na produção de ferramentas de pedra, sugerindo que o local foi continuamente ocupado.

    Caso a erupção do Monte Toba tivesse impactado esta população, haveria uma lacuna na produção. Este fato indica que a erupção não impediu o movimento dos primeiros humanos para fora do continente africano.

    A equipe também encontrou ferramentas que compartilham características com itens semelhantes encontrados na península Arábica, produzidos há mais de 100 mil anos, assim como na Austrália, onde se acredita que os primeiros humanos chegaram há 65 mil anos.

    A continuidade tecnológica, transferida do Ocidente para Oriente, sugere uma rota migratória humana. A equipe conclui que Dhaba aparentemente foi uma "importante ponte conectando regiões com arqueologia semelhante a leste e oeste".

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    Tags:
    humanidade, vulcão, erupção, evolução, Índia
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