20:55 01 Junho 2020
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    Cientistas detectaram como uma espécie de cobras manteve a capacidade de envenenamento mesmo depois de mudar a dieta alimentar.

    No reino animal, a sobrevivência resume-se essencialmente a comer ou a ser comido. A forma como os seres vivos se alimentam ou se furtam aos predadores depende de variados fatores evolutivos.

    Vale destacar a maioria das espécies de cobras do gênero Rhabdophis, nas quais se inclui a cobra-tigre-asiática e que podem ser encontradas principalmente no Sudeste Asiático.

    "Os cientistas pensavam que estas cobras produziam as suas próprias toxinas, mas elas aprenderam, ao invés disso, a obtê-las dos seus alimentos, ou seja, dos sapos", afirmou o herpetólogo da Universidade Estadual de Utah, EUA, Alan Savitzky, citado pelo portal Phys.org.

    Na realidade, estas serpentes possuem glândulas defensivas na pele e, às vezes, apenas ao redor do pescoço, onde armazenam bufadienolídeos, uma classe de esteroides letais de origem animal que recebem de sapos venenosos, que são a sua fonte de alimento tradicional.

    "Estas cobras dobram o pescoço em uma postura defensiva que surpreende os predadores com uma boca cheia de toxinas [que provocam fulminantes paradas cardíacas]", afirmou Savitzky.

    Cientista Alain Savitzky examinando uma cobra Rhabdophis, Japão
    Cientista Alain Savitzky examinando uma cobra Rhabdophis, Japão

    Em uma reviravolta surpreendente, Savitzky e seus colegas descobriram que nem todos os membros do gênero obtêm a toxina defensiva da mesma fonte.

    A equipe internacional, composta por pesquisadores norte-americanos, japoneses, chineses, taiwaneses, cingaleses e vietnamitas, fez uma descoberta surpreendente na China ocidental e no Japão.

    Os cientistas depararam-se com cobras Rhabdophis que, ao invés de se alimentarem de sapos venenosos, mudaram a dieta para minhocas.

    O fato de mesmo assim manterem glândulas com as toxinas fatais dos sapos apesar de já não caçá-los, intrigou muito os cientistas, pois as minhocas não as produzem.

    Depois de aturadas pesquisas, os cientistas se deram conta que, além das minhocas, esta espécie de cobra se alimentava também de larvas de vaga-lumes.

    Estas larvas produzem igualmente a mesma classe de toxinas que os sapos.

    "Este é o primeiro caso documentado de um predador de vertebrados que muda de uma presa de vertebrados para uma presa de invertebrados obtendo por outra via o mesmo tipo químico de toxina defensiva", continuou Savitzky.

    "Nada unindo sapos e vaga-lumes, a mudança dietética muito provavelmente foi possível através de um traço químico compartilhado por sapos e vaga-lumes, provavelmente as próprias toxinas", afirmou Savitzky.

    O estudo sobre a surpreendente descoberta da mudança de dieta de presa vertebrada para outra não vertebrada sem alteração da mesma classe química de toxinas defensivas foi publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências dos EUA, na segunda-feira (24).

    "Isto representa [assim] um notável exemplo evolutivo de adaptação […] após uma mudança para uma nova classe de presas", rematou Savitzky.

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    Tags:
    pesquisa científica, ciência, cobra venenosa, cobras
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