14:08 22 Janeiro 2020
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    O cometa interestelar 2I/Borisov atingiu recentemente o ponto da sua trajetória mais próximo do Sol – cerca de duas unidades astronômicas.

    A atenção de toda a comunidade astronômica está focada neste visitante que vem de fora do nosso Sistema Solar: curiosamente, as primeiras observações mostraram que o cometa Borisov é muito semelhante àqueles que nasceram no nosso sistema. O que se sabe sobre estes corpos celestes gelados?

    Cometas são pedaços de água gelada que se movem em órbitas muito alongadas. Ao contrário de outros objetos espaciais no Sistema Solar, a sua trajetória é influenciada por fatores não gravitacionais, tais como a atividade dos núcleos.

    Existem dois tipos de cometas: os periódicos, que têm uma órbita elíptica calculada; e os não periódicos, cuja órbita não pode ser determinada. O primeiro tipo de cometas faz uma volta completa em torno do Sol em menos de 200 anos. A maior parte deles pertence a família de jupterianos, ou seja, o ponto mais afastado da sua órbita se encontra perto de Júpiter, fazendo uma volta completa em cerca de 20 anos.

    De onde vêm os cometas?

    Existem duas hipóteses relativamente às origens dos cometas: uma diz que são provenientes do Cinturão de Kuiper – uma área do Sistema Solar que se estende desde a órbita de Netuno, a 30 unidades astronômicas, até 50 unidades astronômicas do Sol, onde há muitos corpos congelados e planetas anões, que se distinguem por suas órbitas invulgares.

    Outra teoria diz que os cometas vêm da nuvem de Oort, uma hipotética nuvem esférica localizada na extremidade do Sistema Solar. Os cientistas estão mais inclinados para a segunda opção.

    Duas imagens do cometa 2I/Borisov captadas pelo Hubble
    © Foto / NASA/Hubblesite
    Duas imagens do cometa 2I/Borisov captadas pelo Hubble
    Os cometas se formam na orla exterior do Sistema Solar, em uma zona onde a água está sempre no estado sólido. Acredita-se que eles são fragmentos da substância primária preservada em estado inalterado. Por isso, os cientistas estão muito interessados em estudá-los, visto que podem revelar os mecanismos de formação dos planetas, do Sistema Solar, e provavelmente até o mistério da origem da vida.

    "Os cometas passam a maior parte do seu tempo longe do Sol. Eles contêm as principais informações sobre a fase inicial de formação do Sistema Solar. Analisando a sua composição e trajetória, podemos determinar o que aconteceu naquele período. Por isso, é importante saber como e onde os cometas se formaram", explica Vyacheslav Emelianenko, cientista do departamento de pesquisa do Sistema Solar do Instituto de Astronomia da Academia das Ciências da Rússia.

    Os cientistas estimaram que o cometa 2I/Borisov tem entre 2 e 16 quilômetros de diâmetro, passou a uma distância de aproximadamente 300 milhões de quilômetros do Sol a uma velocidade máxima de 44 km/s (mais de 158 mil km/h).

    Astrônomos consideram que o 2I/Borisov, o segundo objeto interestelar descoberto na história, tenha se formado em um sistema "solar" conhecido como Kruger 60, que se encontra na constelação de Cepheus, e que tenha sido repelido para o espaço interestelar como consequência de uma quase colisão com um planeta.

    A questão é que a sua cauda (uma espécie de nuvem que o envolve composta por vapor e gases) o tamanho do núcleo (não mais que um quilômetro), densidade e velocidade são muito parecidos com os cometas do nosso Sistema Solar. "Se não fosse a órbita hiperbólica, diríamos que é um cometa nosso. Isso é muito estranho e sugere que os cometas de outros sistemas estelares são iguais aos nossos. Portanto, há muitos mundos organizados como o nosso", diz Emelianenko.

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    Tags:
    Espaço, objeto interestelar, cometa, Terra, Sistema Solar, astronomia
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