04:55 16 Agosto 2018
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    Inteligência Artificial (IA)

    Tanques e armas não trarão vitória: o que definirá resultado na próxima guerra?

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    Ciência e tecnologia
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    South China Morning Post informou, citando um porta-voz do ministério, que o Ministério das Relações Exteriores da China está explorando o uso de inteligência artificial (IA) na diplomacia. Ele disse que a tecnologia de ponta, incluindo big data e IA, está causando mudanças profundas na forma como as pessoas trabalham e vivem.

    Além disso, as aplicações em muitas indústrias e setores estão aumentando diariamente. O relatório também citou alguns especialistas dizendo que a China já está usando uma versão inicial do sistema IA.

    Em entrevista concedida à Sputnik Internacional, o professor da Universidade de Tsinghua (Pequim), Dr. Steven White, falou sobre a questão.

    Perguntado sobre até que ponto são realistas os objetivos da China de implementar a inteligência artificial na diplomacia, o professor respondeu que "um dos benefícios da inteligência artificial e de seus usos é aumentar a capacidade ou apoiar a tomada de decisão humana, em oposição à visão típica de que ela substitui potencialmente a tomada de decisão humana. Portanto, o fato de poder ser introduzida na diplomacia não é surpreendente".

    Os chineses levam o avanço da IA muito a sério, "transformando esta seriedade em ação em termos de grandes recursos do governo e de empresas privadas serem investidos nisso", afirma o professor.

    O que distingue os chineses dos EUA, "é sua capacidade e disposição de coordenar ações entre os setores público e privado, incluindo universidades, institutos de pesquisa governamentais e de empresas privadas, etc. Eu acho que essa coordenação e colaboração multiplicam os benefícios potenciais em oposição a todas as organizações, empresas e institutos de pesquisa que buscam isso separadamente. Eu acho que o esforço coordenado lhes dará muitos benefícios", diz White.

    Quando questionado sobre como os EUA e Rússia responderiam à iniciativa da China, o doutor respondeu que um dos setores possivelmente atingidos seria o econômico. Porém, ele acredita que as áreas militar e de segurança têm também "implicações enormes, porque a tecnologia central da IA pode ser aplicada em todos esses campos".

    "Do ponto de vista econômico, isso trará incríveis benefícios para as empresas que produzem coisas e, talvez, para a produção de novos produtos e serviços. Obviamente, do ponto de vista militar, a próxima guerra não será vencida por tanques e canhões, será ganha pela IT e quem liderar nessa área irá liderar na próxima guerra."

    Em relação aos pontos negativos, White cita que essa é uma questão muito interessante e importante.

    "'As máquinas podem tomar decisões éticas?' Essa pode ser a maior questão, e quanto mais um país, uma empresa ou um produto depende de uma máquina para tomar decisões, maior será a questão se essa ‘seria a decisão correta do ponto de vista ético'. Acredito que essa talvez seja a maior questão nas aplicações da IA, seja fabricando um produto em sua casa ou fazendo um navio, míssil ou drone que tomará decisões sobre vida e morte", concluiu o professor entrevistado.

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    Tags:
    máquinas, humanos, decisão, recursos estratégicos, guerra cibernética, guerra, tecnologias modernas, inteligência artificial, Ministério das Relações Exteriores da China, China, EUA
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