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    Vista do Pantanal de Cáceres, Brasil, 25 de agosto de 2014

    WWF: Pantanal corre risco de sofrer colapso

    © AFP 2018 / NELSON ALMEIDA
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    Brasil, Bolívia e Paraguai anunciaram, durante o Oitavo Fórum Mundial da Água, realizado em Brasília, um programa de proteção conjunta para o Pantanal, que, de acordo com o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, tratará da gestão dos recursos hídricos, da conservação de ecossistemas, áreas úmidas, biodiversidade e conectividade.

    Intransigente defensor da integridade e da conservação do Pantanal, o WWF Brasil viu com muitos bons olhos essa iniciativa, já que, há anos, a entidade desenvolve projetos para manutenção do Pantanal e de sua biodiversidade. Quem diz isso é o engenheiro florestal Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal, do WWF Brasil, em entrevista exclusiva à Sputnik:

    "O Pantanal – essa área compartilhada por Brasil, Bolívia e Paraguai – é uma região prioritária para o WWF, uma entidade que atua em mais de cem países em projetos de conservação. Então, para a nossa organização, esta é uma área extremamente importante, é a maior área úmida continental do planeta, guarda uma rica biodiversidade e abriga um grande reservatório de água, suprindo toda a região central da América do Sul. Então, trata-se de uma área compartilhada pelos três países, que desenvolvem projetos conjuntos de conservação há pelo menos 15 anos e, em paralelo a isso, o WWF também colabora para a sustentabilidade do Pantanal através do trabalho e dos projetos dos seus escritórios regionais no Brasil, na Bolívia e no Paraguai."

    De acordo com Sampaio, a região precisa de programas de proteção e apoio governamental para sobreviver, já que é considerada área ameaçada:

    "O Pantanal corre risco de sofrer colapso, de perder a dinâmica natural que abriga toda sua biodiversidade. O Pantanal é uma área que contém uma das maiores biodiversidades do mundo e possui todo um aspecto de regulação climática e de fenômenos naturais, como inundações. Então, o componente água é fundamental para a região e, por isso, deve ser muito bem protegido. Sem água, o Pantanal não existe."

    O especialista salienta que dois aspectos precisam ser destacados no Pantanal. Um deles é a cobertura natural, considerada satisfatória, e o outro diz respeito à qualidade da água, esta, sim, muito preocupante:

    "Olhando somente para o lado brasileiro, o Pantanal ainda é um dos biomas mais bem preservados, do ponto de vista da cobertura natural. Mas, se olharmos do ponto de vista da água, esta já é uma região que passa por stress em suas cabeceiras, onde, infelizmente, ocorrem vários episódios de desmatamento e a instalação de algumas infraestruturas sobre os rios, que têm alterado a dinâmica do Pantanal. Tudo isso acontece na parte alta, na área que chamamos de Planície da Bacia do Alto Paraguai, onde estão localizadas as cabeceiras que alimentam o Pantanal. Acontece aí um contraponto: se a cobertura na parte alta do Pantanal está bem preservada, o mesmo não se pode dizer, infelizmente, das nascentes de água."

    Segundo o engenheiro florestal, além do desmatamento, as queimadas também são uma grande preocupação na região de cerrado do Pantanal, principalmente porque a maior parte delas é provocada por ação humana. Enquanto ambientalistas costumam responsabilizar os produtores rurais pelas queimadas e desmatamentos, estes se defendem dizendo contribuir decisivamente para o crescimento econômico do país. Para Júlio César Sampaio, esse impasse está dando lugar a um diálogo construtivo, levando boa parte dos empresários rurais a se engajar na tarefa de preservar o Pantanal e outras áreas ameaçadas do país:  

    "O WWF Brasil convidou o setor agrícola produtivo a também assumir o seu protagonismo na proteção do cerrado e do Pantanal. Estamos incrementando este diálogo desde novembro de 2017 e diversas empresas de produção rural têm aderido à nossa iniciativa e concordado conosco em excluir de suas cadeias produtivas atitudes destrutivas, como o desmatamento. Essas empresas, inclusive, firmaram o compromisso de somente adquirir produtos e insumos produzidos em áreas não afetadas por desmatamento. Para nós do WWF Brasil, este é um grande avanço, mas que precisa estar alinhado com processos de fiscalização e monitoramento."

    Durante a cerimônia de assinatura do compromisso entre Brasil, Bolívia e Paraguai, o ministro Sarney Filho falou sobre o decreto de criação do Programa de Conversão de Multas que reverterá em benefício do Pantanal e de outras áreas degradadas. Com esse decreto, o governo brasileiro se compromete a aplicar em programas de recuperação destas áreas os valores arrecadados com o pagamento de multas por infrações ambientais.       

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    Tags:
    WWF, Sarney Filho, Júlio César Sampaio, Pantanal, Bolívia, Paraguai, Brasil
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