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    Um pôr do sol em Carauari, em 21 de agosto de 2015

    O inverno está chegando: que esperar da atividade solar extremamente baixa?

    © AFP 2019 / NELSON ALMEIDA
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    Como mostram as observações das oscilações solares, o nível da atividade magnética no núcleo do Sol tem diminuído significativamente nos últimos anos, atingindo os mais baixos indicadores de sempre e sendo este um sinal das mudanças irreversíveis no astro, diz-se no artigo, publicado na revista MNRAS.

    Imagem do Sol da missão espacial STEREO
    © NASA . NASA/STEREO/Helioviewer
    De acordo com Yvonne Elsworthm, cientista da Universidade de Birmingham (Reino Unido), "o último topo da atividade solar foi extremamente baixo, já a parte mais escassa do ciclo atual — muito longa". Astrônomos pretendem continuar observando o Sol para ver se a parte escassa foi um caso único ou não, tentando descobrir por que isso aconteceu.

    A atividade solar é definida pelo número de manchas e explosões na superfície do Sol, bem como pelas mudanças do campo magnético do astro. O ciclo solar é de aproximadamente 11 anos. Este período é caracterizado por tempestades geomagnéticas mais fortes e frequentes, que causam tanto problemas técnicos, como afetam a saúde das pessoas.

    Os cientistas explicam que, há pouco tempo, o Sol estava na fase do chamado máximo solar, sendo sua atividade mais alta do que a norma de muitos anos. No entanto, o ciclo atual, o 24º, que começou em janeiro de 2008, veio a ser extraordinariamente fraco, fazendo com que os astrônomos chegassem a pensar que o Sol teria entrado em "hibernação", mas o reinício de sua atividade em 2015 excluiu tal possibilidade.

    Yvonne Elsworthm e seus colegas descobriram os primeiros sinais das mudanças fundamentais nas profundezas do Sol, nomeadamente no campo magnético, baseando-se nos dados, recebidos durante as observações pelo observatório de Birmingham BiSON desde 1985.

    Durante este período, três ciclos solares foram completos. Um deles, o 22º, foi normal, enquanto os dois últimos extremamente fracos.

    Como mostraram as observações, no fundo do corpo celeste está acontecendo de fato algo extraordinário. Assim, as fotos do BiSON indicam que a camada, onde surgem campos magnéticos perto da superfície, está cada vez mais fina, o que afetou o comportamento das manchas na superfície solar.

    Além disso, mudou a maneira com que a superfície solar se movimenta — nos últimos dois ciclos a rotação do sol nas regiões pertos dos polos.

    Cientistas ainda não sabem a razão destas anomalias, bem como se elas continuarão acontecendo no próximo ciclo, que começa em dois anos.

    Caso as tendências do 24º ciclo continuem, então, de acordo com os astrônomos, é provável que se repita o mínimo de Maunder, o período da atividade extremamente baixa no Sol entre 1645 e 1715, com o qual associam os invernos mais rigorosos e longos que coincidiram com o fenômeno espacial.

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    Tags:
    anomalia, recorde, atividade solar, Espaço
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