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    COVID-19 no Brasil em meados de maio (48)
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    Grandes cidades poderiam adotar a testagem em massa para a COVID-19 em locais de grande concentração como rodoviárias, aeroportos e pontos de ônibus, disse especialista em saúde pública à Sputnik Brasil.

    Neste domingo, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo estuda a implementação de uma ampla campanha de testagem da população para o coronavírus. O Ministério da Saúde ainda não forneceu informações de como seria feita a iniciativa. 

    A testagem em massa da população é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas uma melhores formas para se evitar a disseminação do vírus. No entanto, sua aplicação foi recomendada logo no início da pandemia da COVID-19, quando ainda não havia vacinas disponíveis. A partir dos testes, é possível fazer um rastreio dos infectados e promover o isolamento social.

    Para o farmacêutico sanitarista Leandro Farias, se for realmente aplicada, a "medida obviamente é tardia, mas isso não quer dizer que a iniciativa não seja válida". 

    "Ainda há muitas pessoas expostas ao vírus, que ainda não foram contaminadas ou vacinadas. É importante fazer o rastreio dos casos", disse o pesquisador da Escola de Saúde Pública Sergio Arouca, instituição vinculada à Fiocruz.

    Saúde e transporte

    De acordo com o especialista, as grandes cidades brasileiras poderiam adotar a testagem em pontos de grande aglomeração de pessoas, aliando duas questões sensíveis nos dias de hoje: saúde e transporte público.

    "Um problema crônico das cidades é o transporte público. A testagem poderia ser feita em rodoviárias, aeroportos e locais de transporte onde há muita aglomeração", disse Farias. "No Rio de Janeiro, por exemplo, a gente convive com um problema de lotação gravíssimo no BRT, sem solução a curto prazo. Os pontos de testagem poderiam ficar em estações de maior procura", acrescentou. 

    Em março, o município do Rio de Janeiro iniciou processo de intervenção na operação e gestão do BRT, que ocorrerá até que uma licitação seja concluída e nova empresa assuma o serviço.

    "A pessoa que testasse positivo para a COVID-19 seria impedida de entrar no veículo, mas já sairia dali com um laudo, um atestado, garantindo que ela poderia retornar para casa e se isolar ao longo de duas semanas. Esse rastreio é a chamada busca ativa, que deveria ter sido feito desde o início da pandemia e evitaria o lockdown", ponderou o especialista em saúde pública. 

    Auxílio para vulneráveis

    Por outro lado, Leandro Farias ressalta que, para funcionar, a testagem em massa precisa estar aliada a outras medidas, que possibilitem às pessoas ficarem em casa e terem como sobreviver. 

    "Não gostam tanto de dizer que saúde e economia têm que andar juntas? Para isso é preciso dar um amparo para toda a sociedade, sobretudo para as camadas mais vulneráveis, com auxílio econômico e estratégias que contribuam para que as pessoas respeitem o isolamento e fiquem em casa. Botar uma pessoa dentro de casa sem ter o que comer é inviável", afirmou o sanitarista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    COVID-19 no Brasil em meados de maio (48)

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    Tags:
    BRT do Rio de Janeiro, Fiocruz, Marcelo Queiroga, Ministério da Saúde, testes, novo coronavírus, pandemia, COVID-19
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