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    COVID-19 no Brasil em meados de maio (48)
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    O brasileiro Raí, ex-jogador do PSG e atual diretor esportivo do São Paulo Futebol Clube, publicou um artigo nesta quarta-feira (12) em um jornal francês com críticas ao governo de Bolsonaro.

    Apesar de não ter citado nominalmente o presidente do Brasil, Raí fez críticas ao atual "governo negacionista", e conclamou a população à resistência para vencer "a praga de traje escuro" que se apoderou do país. 

    Ao longo de sua publicação, Raí explicou que existe um duplo flagelo que assola o Brasil: a crise sanitária da COVID-19 e os ataques à democracia, com o retorno dos militares ao poder.

    "Além da praga biológica – essa epidemia tão mal administrada que causou a mais grave crise de saúde da história do meu país –, estamos sofrendo de outro mal, muito mais mortal no longo prazo", diz Raí.

    "Um mal que nos isola diplomaticamente, um mal que atormenta insidiosamente a Amazônia e persegue quem a protege. Um mal que autoriza a mineração em reservas indígenas, e prefere árvores cortadas a árvores vivas. Um mal castrador das liberdades, que ameaça a democracia e reaviva a censura odiosa, promove a intolerância, a homofobia, o machismo, a violência", escreveu.

    Segundo Raí, "esse mal, que tem suas próprias variantes, é obra de um clã". Ele ainda lamentou que o "mal" tenha contaminado questões relacionadas com o meio ambiente, os direitos humanos, a política externa do país. Em outro momento, ele relembrou o episódio em que um ministro de Bolsonaro imita um discurso de Joseph Goebbels, o ministro de Adolf Hitler.

    "Devemos, portanto, resistir a essa praga brasileira que usa traje escuro e, por trás de um sorriso astuto, ataca pela repressão, agressão, perseguição, usando os 'resquícios' legais de um Brasil outrora autoritário, como esta Lei de Segurança Nacional, herdada das trevas do período da ditadura militar", pontuou.

    Raí descreve os brasileiros como um povo "distraído", que não presta atenção aos perigos que os ameaçam. "Durante anos, porém, os ratos estiveram ali, mostrando o rosto, revirando os olhos, mostrando os dentes, afiando as garras", aponta o ex-jogador.

    Por fim, ele revela caminhos para "se livrar deste pesadelo". Em primeiro lugar, é preciso combater o negacionismo, "lutar contra a estupidez que desencoraja o uso de máscaras" e vacinar a população para vencer a epidemia. Depois, erradicar "a praga maior que gangrena a sociedade".

    "É preciso encontrar o antídoto para que não continuemos carregando uma doença que nos destruiria, contra nossa vontade", enfatiza. "Não queremos, por culpa de alguns criminosos, nos tornar nossos próprios algozes", conclui.
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    Bolsonaro, Jair Bolsonaro, COVID-19, Le Monde, PSG, ex-jogador de futebol, ex-jogador, jogadores, Brasil
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