18:54 12 Maio 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    Situação da COVID-19 em meados de abril no Brasil (74)
    641
    Nos siga no

    Com as privatizações a todo vapor no Brasil, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o setor energético terá investimentos de R$ 3 trilhões até 2030. Para especialista ouvido pela Sputnik, o "cenário não é tão positivo" como afirma o ministro.

    Ao falar em entrevista à Agência Brasil sobre o aporte trilionário que o Brasil deve receber até 2030 no setor de eletricidade, o ministro de Minas e Energia fez questão de enaltecer o viés liberal da economia brasileira: apenas em 2021, serão seis leilões só de energia elétrica, de petróleo e de gás. "É importante para dar previsibilidade para o mercado", afirmou.

    Confiante, ele explicou esses investimentos ocorrem porque o Brasil tem atratividade, diversidade de fontes de energia e segurança jurídica e regulatória. "Isso é extremamente importante para atrair investimentos privados", avaliou o ministro, que em seguida confirmou que "centenas de bilhões de reais nos últimos dois anos" foram investidos. 

    Diante da possibilidade do ingresso de recursos em uma economia combalida, surge o questionamento sobre onde, e como, este dinheiro poderia ser investido no setor de energia. Para o economista e empresário Ricardo Gennari, proprietário da Troia Intelligence, entrevistado pela Sputnik Brasil, não há razão para crer na confiança do ministro Bento Albuquerque. Em sua avaliação, o dinheiro das privatizações do setor elétrico servirá para combater a COVID-19.

    Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro Paulo Guedes e empresários, conversa com a imprensa ao sair do STF
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro Paulo Guedes e empresários, conversa com a imprensa ao sair do STF

    O país da energia renovável

    Ricardo Gennari entende que o ministro Bento Albuquerque conta com as arrecadações oriundas das privatizações que o governo ainda planeja fazer, mas, em sua opinião, o ministério da Economia não disponibilizaria este dinheiro para investimentos em energia renovável.

    Segundo ele, "os recursos do Estado estão sendo disponibilizados para os custos da pandemia, pagamento de dívidas obrigatórias e atendimento às verbas parlamentares. O país tem diversos problemas para investimento como: riscos fiscais, insegurança jurídica, crise política e da pandemia".

    Ricardo Gennari ainda afirmou que não acredita que o Brasil possa chegar ao ano de 2030 como um dos maiores produtores de energia limpa. Neste sentido, ele diverge do ministro Bento Albuquerque. Para o governo, o Brasil é uma referência no mercado internacional de energia.

    Usina de Energia Eólica (UEE) em Icaraí, no Ceará (CE).
    © Foto / Divulgação/Ari Versiani/PAC/Agência Brasil
    Usina de Energia Eólica (UEE) em Icaraí, no Ceará (CE).

    Segundo Bento Albuquerque, 83% da energia brasileira é renovável e, se for considerada a energia limpa, o índice sobe para 85%. No mundo, a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é 25%.

    O economista ouvido pela Sputnik Brasil entende que o país tem um "potencial de produção de energia limpa, como a eólica e solar", mas criticou o que chamou de projeto de "taxar o Sol", em alusão a uma das dificuldades criadas no Congresso para o uso da energia solar.

    "Sim, investimentos na energia fóssil podem aumentar, mas o mundo está indo no sentido contrário, buscando a energia limpa. O Brasil, infelizmente, está anos atrasado em investimentos de energia limpa", afirmou.
    Energia solar
    © AFP 2021 / CESAR MANSO
    Manutenção de baterias solares no norte da Espanha

    Os R$ 40 bilhões na mineração

    O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na mesma entrevista em que anunciou o aporte trilionário no Brasil, também confirmou que cerca de US$ 40 bilhões (R$ 221,8 bilhões) serão investidos nos próximos quatro anos na mineração.

    O ministro falou sobre o grande "potencial que o Brasil tem", e disse que "o minério de ferro é o segundo item [da pauta de exportações], só sendo superado pelo agronegócio. A mineração traz muito investimentos" para o país, enfatizou.

    Índios da etnia cinta-larga trabalham em garimpo de diamantes ilegal na terra indígena Parque Aripuanã, em Pimenta Bueno (a 700 km de Porto Velho), no Estado de Rondônia.
    ©Folhapress
    Índios da etnia cinta-larga trabalham em garimpo de diamantes ilegal na terra indígena Parque Aripuanã, em Pimenta Bueno (a 700 km de Porto Velho), no Estado de Rondônia.

    Questionado sobre as metas do governo para a mineração, o economista fez críticas: "A exportação [de minério] está nas mãos das empresas privadas. O governo não controla a produção e a exportação. Veja o caso do nióbio. Estas somas em dinheiro que o ministro cita, não há como confirmar, já que os investimentos são da iniciativa privada".

    Ele disse que, "mais uma vez, o governo não tem recursos para investimentos e para a inovação. Se depender do Congresso Nacional, nada sai a curto prazo e médio prazo", criticou.

    Em seu entendimento, o Brasil goza de confiança no mercado internacional porque as commodities do agronegócio e os minérios "estão em alta e trazendo dividendos para o Brasil". Ele ressaltou que, por outro, por insegurança no país, os agentes econômicos e investidores estão deixando seus recursos no exterior".

    Bombeiro na área de rompimento de barragem em Brumadinho (MG)
    © AP Photo / Leo Correa
    Bombeiro na área de rompimento de barragem em Brumadinho (MG)

    Em seguida, ele explicou: "O que isso significa? Falta de confiança no Brasil. Por que o dólar não baixa? Simples: falta de confiança, riscos fiscais elevados, inflação, insegurança jurídica, crises políticas e sanitárias. Como o Brasil não tem mais indústria, vivemos de commodities e serviços. O lucro está indo para as matrizes das grandes corporações internacionais. Infelizmente, o meu cenário não é tão positivo como do ministro Bento Albuquerque", concluiu.
    Garimpeiros trabalham em um garimpo no rio Rato, afluente do rio Tapajós, no Pará
    © Folhapress / Lalo de Almeida
    Garimpeiros trabalham em um garimpo no rio Rato, afluente do rio Tapajós, no Pará

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Situação da COVID-19 em meados de abril no Brasil (74)

    Mais:

    Ministério de Minas e Energia mantém recomendação para extinguir horário de verão
    Inflação no Brasil fica em 0,36% em julho puxada por alta na gasolina e energia elétrica, diz IBGE
    China ultrapassa Estados Unidos em tecnologias de energias renováveis, segundo relatório
    Parceria entre Brasil e Argentina em energia nuclear mostra maturidade dos países, defende ABDAN
    Tags:
    Ministério de Minas e Energia, energia renovável, energia eólica, energia limpa, energia verde, energia solar, energia, Brasil, COVID-19
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar