23:07 29 Julho 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    581
    Nos siga no

    Na quinta-feira (25), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) discutirá novamente a proposta para o leilão do 5G no Brasil. Para discutir o assunto, a Sputnik Brasil ouviu o professor de Relações Internacionais Diego Pautasso, que avalia a implementação da tecnologia como "absolutamente essencial".

    No início de fevereiro, a Anatel decidiu adiar a decisão sobre a proposta para a realização do leilão da tecnologia 5G no Brasil, após pedido de vistas do presidente da agência, Leonardo Euler. A expectativa inicial era de que a discussão fosse retomada nesta quarta-feira (24), mas a reunião do Conselho Diretor do órgão foi marcada para a quinta-feira (25), conforme divulgou a Anatel.

    Segundo publicou o portal Metrópoles, a proposta inicial em discussão na Anatel, do relator Carlos Baigorri, não agradou empresas de telecomunicação devido à necessidade de construção de novas redes, o que demandaria investimentos. A discussão teria sido adiada pelo presidente da Anatel por esse motivo.

    Antena de telecomunicações (imagem referencial) .
    © AP Photo / Jeff Roberson
    Antena de telecomunicações (imagem referencial)

    Diego Pautasso, professor de Relações Internacionais e especialista no BRICS, explica que no caso de decisões estratégicas como a do 5G no Brasil, pressões empresariais e políticas são esperadas. O professor recorda do imbróglio em torno do tema envolvendo os interesses dos Estados Unidos em barrar a participação da empresa chinesa Huawei do leilão no Brasil e lembra que a tecnologia da empresa já é velha conhecida das teles brasileiras.

    "As empresas de telecomunicações, que também têm poder de lobby político relevante, são empresas que já operam com a tecnologia chinesa há mais de uma década. Desde quando se começou a implementação do sistema de celular, a partir da tecnologia 2G. E de lá por diante a Huawei é uma empresa que tem raízes no Brasil", explica Pautasso em entrevista à Sputnik Brasil.

    Na avaliação do especialista, os custos políticos de uma possível exclusão da Huawei do leilão do 5G no Brasil seriam muito elevados, apesar das pressões diplomáticas dos EUA e do expresso alinhamento do governo de Jair Bolsonaro a Washington.

    "Resta saber se o governo, que nem sempre se pauta pela consequência política e diplomática, está disposto a arcar com esse litígio. Sobretudo agora, no contexto do imperativo das vacinas e dos IFAs [princípio ativo para a fabricação dos imunizantes], dos quais a China é um dos principais fornecedores", aponta.
    Mulher usando máscara para se proteger do SARS-CoV-2 mexe no smartphone perto de loja da Huawei promovedora da rede 5G em Pequim, China, 11 de outubro de 2020
    © AP Photo / Andy Wong
    Mulher com máscara usando smartphone com propaganda da 5G da Huawei

    Pautasso destaca ainda que é difícil prever se o leilão, cujo formato e data ainda serão definidos pela Anatel, terá mais influência política ou técnica sobre seu formato.

    "O que a gente sabe é que há um imperativo e a pressão das teles para implantação do 5G, que é uma tecnologia absolutamente essecial para a terceira revolução industrial e para a assim chamada 'indústria 4.0'", afirma.

    Para o especialista no BRICS, as crises econômica, política e sanitária que atualmente ocorrem no Brasil simultaneamente podem retardar a instalação da tecnologia 5G no território nacional.

    "[O adiamento da implantação do 5G] obviamente não é positivo para a economia brasileira, sobretudo diante do imperativo da retomada das atividades econômicas.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Anatel adia para dia 24 decisão final sobre edital para 5G
    Teles consideram 'impagável' lista de exigências do governo brasileiro para leilão de 5G, diz jornal
    Forma de escolha do 5G é mais decisiva do que a empresa que será selecionada, afirma especialista
    Tags:
    Anatel, Brasil, 5G
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar