00:01 28 Outubro 2021
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    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, afirmou que acredita que o impeachment de Jair Bolsonaro seria desastroso para o Brasil. Fux avalia que é preciso respeitar a decisão dos eleitores brasileiros e que o Brasil não aguentaria um terceiro impeachment.

    As declarações foram feitas em entrevista ao Estadão, publicadas na noite deste sábado (6).

    "Em um pós-pandemia, em que o país precisa se reerguer economicamente, atrair investidores e consolidar a nossa democracia, eu acho que seria um desastre para o país. O Brasil não aguenta três impeachments. O Brasil tem de ouvir o povo e o povo é ouvido através de seus representantes que estão no Parlamento. Acho que o impeachment seria desastroso", declarou Fux.

    Na entrevista, Fux falou também sobre a situação do novo presidente da Câmara, Arthur Lira. Terceiro na linha sucessória da Presidência da República, Lira responde a denúncias no STF, por corrupção passiva e organização criminosa.

    O presidente do STF avalia que ter um réu na linha sucessória do comando do país "não é o melhor quadro para o Brasil". Vale lembrar que há um precedente do Supremo, que impediu o então presidente do Senado, Renan Calheiros, de ocupar interinamente a cadeira no Planalto por ser réu na época.

    "Eu acho que, realmente, uma pessoa denunciada assumir a Presidência da República, seja ela qual for, é algo que até no plano internacional não é o melhor quadro para o Brasil", afirmou Fux.
    Presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara, deputado Arthur Lira, e do Senado, senador Rodrigo Pacheco, participam de cerimônia de abertura do ano legislativo no plenário da Câmara dos Deputados
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    Presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara, deputado Arthur Lira, e do Senado, senador Rodrigo Pacheco, participam de cerimônia de abertura do ano legislativo no plenário da Câmara dos Deputados

    Entre outros assuntos sobre os quais se pronunciou, Fux respondeu aos ataques de que o STF tem sido omisso quanto à conduta de Jair Bolsonaro frente à pandemia de COVID-19. Para ele, "o STF nunca eximiu o governo federal, absolutamente. Ninguém exonerou ninguém de responsabilidade".

    Além disso, disse que o Supremo está avaliando a denúncia contra o ministro da Saúde Eduardo Pazuello por uma possível omissão diante do colapso do sistema de saúde de Manaus. Fux disse que o ministro foi surpreendido pelo "fator-surpresa, porque alguns países também foram surpreendidos com falta de oxigênio".

    O presidente do STF afirmou ainda que a força-tarefa da Lava Jato, encerrada nesta semana, trouxe transformações sem precedentes para o Brasil e que, por conta da operação, o país passou a ser respeitado internacionalmente pela atuação contra desvio de dinheiro público. Segundo ele, "o combate à corrupção não vai retroceder".

    Sobre o auxílio emergencial, Fux diz que não se pode deixar pessoas à deriva e que, por isso, é favorável à prorrogação do benefício.

    "Se eu pudesse imaginar a possibilidade de o Brasil continuar com esse auxílio, eu seria super favorável. É temerário nesse momento deixar essas pessoas à deriva. Nós já as deixamos há muito tempo", disse Fux.

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    Tags:
    STF, Luiz Fux, COVID-19, Jair Bolsonaro, Câmara dos Deputados, entrevista, impeachment, Arthur Lira
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