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    Brasil lidando contra COVID-19 no final de janeiro de 2021 (92)
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    Infecção simultânea por linhagens diferentes do novo coronavírus pode levar a criação de novas cepas, mas ainda é difícil afirmar que coinfecção produza maior taxa de mortalidade ou maior transmissibilidade da doença, disse um virologista ouvido pela Sputnik Brasil.

    Uma pesquisa feita com pacientes do Rio Grande do Sul mostrou que uma pessoa pode ser infectada ao mesmo tempo por diferentes linhagens do SARS-CoV-2, causador da COVID-19.

    Segundo o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e um dos autores do estudo, a descoberta de linhagem se dá pelo sequenciamento genético.

    "A partir do sequenciamento do genoma completo do vírus nós analisamos as diferenças e semelhanças com outras linhagens já conhecidas através de métodos computacionais e baseados em ferramentas de análise computacional e estatísticas. Nós determinamos se aqueles vírus que encontramos pertencem a uma linhagem que já existe ou se podem constituir uma nova linhagem", afirmou.

    ​Spilki explicou que foram analisadas amostras de 92 pacientes do Rio Grande do Sul.

    "No Brasil hoje nós temos em torno de 20 linhagens do vírus circulando, das mais de 80 que existem no mundo. Dessas 20 linhagens, nós temos três novas variantes: a variante P.1 de Manaus, a variante P.2 do Rio de Janeiro e uma nova variante que está sob investigação no Rio Grande do Sul que nós chamamos de VUI-NP13L", contou.

    Transmissibilidade de nova variante ainda precisa ser estudada

    De acordo com o pesquisador, há experimentos sendo conduzidos para saber se essas novas variantes encontradas no Brasil possuem um índice de transmissibilidade maior.

    "A priori nós imaginamos que até possa haver alguma diferença na transmissibilidade, mas é muito difícil que algumas dessas variantes tenham morbidade e mortalidade mais alta. Isso ainda precisaria ser confirmado", declarou.

    Além da identificação de uma nova variante no Rio Grande Sul, o experimento coordenado por Fernando Spilki detectou pelo menos dois casos de coinfecção, ou seja, a infecção simultânea por linhagens diferentes do novo coronavírus.

    No entanto, o virologista quis deixar claro que a coinfecção não alterou o quadro clínico dos pacientes, que tiveram a COVID-19 na forma leve ou moderada da doença e não precisaram de internação.

    "O que nos fica de alerta não é em relação à parte clínica, mas que estas coinfecções por linhagens diferentes de um mesmo vírus podem levar ao fenômeno que nós chamamos de recombinação, ou seja, que esses genomas se mesclem, se misturem, dando origem de forma mais rápida a outra nova linhagem", completou.

    Fernando Spilki ressaltou que, mesmo com novas variantes, os cuidados para prevenção da COVID-19 devem continuar os mesmos: manter o uso de máscaras, evitar aglomerações e higienizar as mãos.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil lidando contra COVID-19 no final de janeiro de 2021 (92)

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    Tags:
    estudo, casos confirmados, infecções graves, infectados, infecção, pandemia, novo coronavírus, Brasil, COVID-19
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