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    Coronavírus no Brasil no início de dezembro (59)
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    Apesar de o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ter afirmado na quarta-feira (2) que o Brasil não terá vacinas suficientes contra COVID-19, alguns especialistas estão mais confiantes.

    Pazuello disse que são muito poucos os fabricantes que têm a quantidade e o cronograma de entrega efetivo para atender o país. "Quando a gente chega ao final das negociações e vai para o cronograma de entrega, fabricação, os números são pífios. Números de grande quantidade, realmente, se reduzem a uma, duas ou três ideias. A maioria fica com números muito pequenos para o nosso país", afirmou o ministro, em audiência pública da comissão mista do Congresso que acompanha as ações do governo contra a COVID-19.

    Em Brasília, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (à esquerda), e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (à direita), participam de cerimônia no salão nobre do Palácio do Planalto, em 14 de outubro de 2020
    © Folhapress / Edu Andrade
    Em Brasília, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (à esquerda), e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (à direita), participam de cerimônia no salão nobre do Palácio do Planalto, em 14 de outubro de 2020

    A Sputnik ouviu o médico epidemiologista Fernando Barros, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas no Rio Grande do Sul, que falou sobre essa questão. Mais otimista, ele acredita que a situação em torno dos números divulgados por Pazuello — 15 milhões de doses da vacina em janeiro e fevereiro, 100 milhões de doses no primeiro semestre e 160 milhões mais para o segundo semestre do próximo ano — vai se modificar.

    "Foi uma avaliação inicial dele [Pazuello]. Eu creio que logo nós vamos ter umas quatro ou cinco vacinas já aprovadas, nesse momento nós já temos a da Pfizer e da Moderna que já tem resultado publicado e já estão começando a ser utilizadas nos EUA e na Europa. Imagino que a vacina chinesa, a CoronaVac, logo também vai ser aprovada e o [Instituto] Butantan vai começar a produzir", avaliou o especialista.

    Barros disse que a AstraZeneca e a Universidade de Oxford se complicaram um pouco no relatório preliminar sobre sua vacina, mas que eles também vão conseguir a liberação da Anvisa e dos órgãos de vigilância dos outros países.

    "As vacinas de RNA mensageiro, da Moderna e da Pfizer, que precisam de ultrafreezers, não acho que seja impossível que o Brasil tenha também, basta comprar os equipamentos necessários e ter nas capitais, e depois distribuir a vacina, que as empresas dizem que entregam com as caixas de gelo seco", continuou Barros.

    Segundo ele, a obrigação do governo é fornecer vacina contra a COVID-19 para toda a população: "Por enquanto não temos liberação para crianças, que não foram testadas. Não é possível que o governo vá dar a vacina para metade da população, deixando de fora, por exemplo, quem tem menos de 60 anos. Isso não vai acontecer", avaliou.

    ​Uma questão que se observa nos números citados pelo ministro da Saúde é que serão necessárias duas doses do imunizante para cada cidadão, e que dentro da quantidade prevista, não haveria vacina para todo mundo. Barros reafirmou que o que pode ser feito agora é obedecer às regras de distanciamento social e higienização, para que esse grande número de contágios que estão acontecendo no momento diminua até a chegada do imunizante.

    "A única forma de evitar a mortalidade e a infecção é a proteção individual, não entrando em contato com outras pessoas", disse o especialista.

    Para finalizar, Barros comentou que a luta contra a doença, contra a pandemia, "a mais importante nesse último século", tem que ser feita como se "fôssemos para a guerra".

    "Hoje li um comentário que a Ford, nos EUA, está começando a produzir ultrafreezers, para as vacinas que precisam ser armazenadas nesse tipo de equipamento. Isso chama a atenção, porque durante a Segunda Guerra Mundial, as fábricas de automóveis nos EUA pararam de fabricar automóveis e começaram a produzir tanques e equipamentos de guerra para lutar contra o nazismo. Agora a guerra é contra um vírus", concluiu o especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    novo coronavírus, ministro, vacinação, doença, saúde, COVID-19, vacina, governo, Brasil
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