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    Nesta segunda-feira (9), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão dos testes da CoronaVac no Brasil, alegando ter sido notificada sobre a ocorrência de um "Evento Adverso Grave" em um dos voluntários.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o médico epidemiologista Guilherme Werneck, professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), disse que "é normal que durante esses estudos aconteçam alguns eventos mais graves que levem a interrupção do ensaio clínico".

    "Isso faz parte do protocolo e é comum acontecer, o que nós precisamos é de transparência para entender esse processo e chegar a uma conclusão de qual foi o motivo para esse evento grave ter acontecido e se ele tem possibilidade ou não de estar relacionado à vacina", explicou.

    Segundo o epidemiologista, se confirmado que a morte do voluntário brasileiro não esteve relacionada à vacina, a interrupção dos testes não deve trazer grandes prejuízos para o andamento da produção da vacina.

    "Pequenos atrasos de uma ou duas semanas para a retomada do estudo realmente podem atrasar um pouco a finalização do ensaio, mas eu não diria que seria um atraso tão grande a ponto de trazer um prejuízo imenso para a população", projetou Werneck.

    A decisão pegou o Instituto Butantan, responsável pelos testes da CoronaVac no Brasil, de surpresa. Nesta terça-feira (10) foi divulgado um laudo do Instituto Médico Legal (IML) que apontou que a causa da morte do voluntário dos testes do imunizante foi suicídio.

    No entanto, Guilherme Werneck salientou que é preciso olhar a declaração do Instituto Butantan, assim como a manifestação da Anvisa, com "certa desconfiança".

    "Não podemos tomar a palavra do diretor do Instituto Butantan como uma verdade nesse contexto. Ele pode ter uma avaliação de que não tem relação com a vacina, mas é preciso uma visão externa a todos para que possa avaliar com calma se esse efeito pode ou não estar relacionado à vacina", destacou.

    Para Werneck, essa avaliação externa teria que ser feita por um comitê independente de pesquisadores que não estariam vinculados nem ao Instituto Butantan e nem aos quadros da Anvisa.

    "Isso precisa passar por um comitê independente, que não seja nem do Butantan e nem da Anvisa, mas de 'experts', pesquisadores internacionais, que vão avaliar os dados e vão chegar a um julgamento final se [o óbito] tem ou não tem relação com a vacina", afirmou.

    'Declaração de Bolsonaro sobre vitória politiza processo que precisa ser técnico'

    O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (10) em uma rede social, ao comentar a suspensão dos testes da vacina CoronaVac, que o episódio é mais um em que "Jair Bolsonaro ganha".

    "Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", escreveu Bolsonaro.

    A fala de Bolsonaro foi criticada por Guilherme Werneck, que disse que o posicionamento do presidente contribui para a "politização da vacina".

    "A única certeza que nós temos nesse momento é que realmente a manifestação do presidente é completamente extemporânea, politiza um processo que precisa ser técnico", criticou.

    De acordo com o epidemiologista, a fala pode gerar uma interpretação negativa sobre a reputação de isenção da Anvisa.

    "É necessário que a Anvisa mantenha o seu reconhecimento como uma agência regulatória isenta e bem qualificada", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, imunizante, imunização, vacinação, Vacina CoronaVac, vacina, Brasil, COVID-19
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