21:28 24 Outubro 2020
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    Nesta quinta-feira (12), o Ibovespa (B3) acionou seu "circuit breaker" pela 4ª vez na semana. Sobre esse assunto, a Sputnik Brasil ouviu um consultor do mercado financeiro que explicou que a crise não é só por causa do coronavírus.

    A bolsa de valores fechou o pregão desta quinta-feira com uma queda de 14,78% após acionar duas vezes o chamado "circuit breaker", somando quatro interrupções da bolsa apenas nesta semana.

    Essas variações seguem uma semana de turbulências pelas bolsas mundo afora que reagiram a uma queda brusca na cotação do petróleo no início da semana relacionada à crise mundial da pandemia do novo coronavírus.

    Wagner Parente, consultor da BMJ Consultores Associados, advogado e mestre em Relações Internacionais, explica que não é possível saber por quanto tempo essa instabilidade deve continuar.

    "A gente não consegue determinar quanto tempo ainda vai permanecer essa volatilidade no preço dos ativos", afirma Parente em entrevista à Sputnik Brasil.

    Apesar disso, o consultor acredita que as empresas mais afetadas, como as petrolíferas, as companhias aéreas e seguradoras, conseguirão recuperar o valor de mercado perdido.

    Parente explica alguns dos motivos da crise atual. Segundo ele, em primeiro lugar vem a falta de demanda causada pelas restrições impostas por medidas de contenção ao vírus, e também a redução da oferta, pelo mesmo motivo, uma vez que fábricas chinesas foram fechadas, o que afeta a cadeia produtiva global.

    Logo depois, Parente também aponta a questão da queda nos preços do petróleo, também atrelada ao coronavírus. Para ele, porém, há efeitos específicos desse fator no Brasil.

    "Um dos primeiros impactos na redução no preço do barril do petróleo é a viabilidade do etanol. Na medida em que você tem um preço do barril do petróleo muito baixo, muita da produção do etanol brasileiro fica inviabilizada", alerta o especialista.

    Por último, Parente também aponta instabilidade política no Brasil como fator importante da crise. Para ele, a aprovação no Congresso da despesa extra para o pagamento do benefício do BPC é um exemplo disso.

    "Isso coloca o governo brasileiro em uma posição de pouca autonomia para fazer política anticíclica, porque não tem dinheiro. É difícil você colocar uma medida de incentivo ao consumo se você não tem dinheiro para isso", avalia.

    Ainda segundo Parente, esse terceiro fator, a instabilidade política brasileira, é o único que deve permanecer após a crise tanto relacionada ao petróleo quanto relacionada ao novo coronavírus.

    "O presidente Bolsonaro implementou uma outra forma de governo, então ele já decidiu que não vai negociar tão diretamente assim com parlamentares e isso tem um preço. No momento que você tem um presidente que não quer fazer política, isso acaba vindo com um preço. E se isso não mudar com certeza vem mais retaliação aí", diz o consultor.

    Para ele, o exemplo do BPC é uma prova de que o Legislativo "não tem nenhum pudor de retaliar no campo econômico, inclusive, não é só no de costumes".

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    Tags:
    Brasil, novo coronavírus, Jair Bolsonaro
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