15:27 22 Janeiro 2020
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    O Brasil negocia com a China para facilitar a exportação do farelo de soja brasileiro. A Sputnik Brasil ouviu um representante do setor para comentar os possíveis cenários da exportação desse produto.

    O comércio de farelo de soja entre Brasil e China pode estar prestes a crescer. Isso porque autoridades de ambos os países estão negociando padrões fitossanitários que podem facilitar o comércio bilateral. Com isso, o Brasil pode, inclusive, competir com produtores chineses no processamento do produto, algo que hoje ainda não acontece.

    É o que afirma Lucas Costa Beber, diretor administrativo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja).

    "O problema é que China sempre preferiu comprar o grão inteiro para justamente ela processar lá. Ela [a China] tem um menor custo [de processamento] então consegue absorver essa soja com um menor valor", afirma.

    O farelo de soja, explica o representante da Aprosoja, é um subproduto da extração do óleo para a produção de biodiesel.

    OCDE e FAO estimam que produção brasileira de soja vai crescer 2,6% por ano até 2026
    Pedro Revellion/Palácio Piratini/Fotos Públicas
    OCDE e FAO estimam que produção brasileira de soja vai crescer 2,6% por ano até 2026

    Beber explica que a quantidade de farelo de soja produzido vem aumentando conforme o governo tem incrementado a mistura dos biocombustíveis - que passou de 11% para 15%. Até 2023, isso deve impulsionar o esmagamento de soja, que pode chegar a 9 milhões de toneladas.

    Com isso, há uma expectativa de aumento da exportação do produto e incrementar o comércio com os chineses. Para Beber, há uma janela de oportunidade se abrindo para o aumento dessas exportações que está ligada ao consumo interno chinês e à guerra comercial com os Estados Unidos.

    "Tendo esse acordo [entre] Estados Unidos e China e também se resolvendo o problema da peste suína africana, novamente os chineses entram com apetite no mercado para absorver cada vez mais", aponta.

    Beber explica que com o fim da peste suína, que vitimou parte das criações de porcos no país asiático, a demanda pelo farelo de soja para ser usado como ração deve crescer. A carne suína é a mais consumida na China.

    O representante da Aprosoja também afirma que a guerra comercial China-EUA beneficiou o produtor brasileiro.

    "O produtor brasileiro, se você fosse pegar o balizamento que é a bolsa de Chicago, ele estava recebendo um valor acima da bolsa de Chicago por conta dessa necessidade chinesa e da guerra comercial com os Estados Unidos", diz.

    A China hoje importa 80% da produção de soja em grãos do Brasil. Já no caso do farelo de soja, o maior cliente é a União Europeia, que compra cerca da metade do produto, conforme publicado pelo UOL.

    Criador de suínos na China. Soja brasileira exportada é usada, sobretudo, como ração animal
    © AFP 2019 / Peter Parks
    Criador de suínos na China. Soja brasileira exportada é usada, sobretudo, como ração animal

    Beber afirma que o produtor brasileiro estava preparado para esse aumento de demanda e que poderia produzir ainda mais. O maior problema para o produtor, segundo ele, é a logística.

    "A maior dificuldade do produtor, principalmente aqui do Centro-Oeste, aqui do Mato Grosso, é a questão logística. Em alguns lugares ele [o produtor] não está tendo a remuneração necessária para que ele tenha lucratividade. A partir do momento que o produtor passe a ter lucro nós temos condições de dobrar [a produção] sem derrubar uma árvore", conclui.

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    Tags:
    Brasil, China
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